domingo, 6 de setembro de 2009

† Fascínio de Sereia - A Yara


† Fascínio de Sereia - A Yara
Zoe de Camaris


Meu valente apigáua!
Vem habitar comigo a mesma taba
Dormir na mesma tépida quiçáua!
Sou a mãi d'água te farei puranga
Tens nos meus olhos a melhor puçanga

Yara
Acrísio Mota - 1898




Metade mulher, metade monstro. Ninfa e demônio. E no entanto, um dos mais fascinantes mitos da história da humanidade, sinônimo de sedução e perigo, de beleza sobrenatural. Da sedução que supera a sexualidade, se concordarmos com Baudrillard.

Alguns histórias falam de tragédias de amor, como o de Loreley do Reno. Outros, da sereia que, nunca tendo sido mulher, se apaixona por um mortal; outros ainda de mulheres que foram abusadas e se voltam contra os que causaram sua dor e humilhação. Espíritos de moças afogadas que após a metamorfose tornam-se impiedosas devoradoras de carne humana.

A primeira referência destes seres aquáticos está na Odisséia, de Homero. Ovídio irá caracterizá-las como pássaros de plumas avermelhadas com rosto de mulher, segundo o relato de Jorge Luís Borges, que também nos conta que a lei da sereia é morrer quando alguém não se deixa seduzir por seu feitiço.

Seu famigerado canto é hipnótico, sua música, arrebatadora. No entanto, Franz Kafka foi pontual em seu conto, O Silêncio das Sereias. Elas possuem uma arma maior do que o seu canto. O silêncio. Eu acrescentaria o mistério. A liberdade e a rebeldia.

De índole indomesticável, uma sereia nunca é possuída, a não ser que este seja o seu desejo. As Rusalki, sereias russas e eslavas, são terrivelmente vingativas. Se uma irmã é pega, o destino do homem está traçado: morrerá dilacerado.

São chamadas de Spunkies na Escócia, de Groachs na Bretanha, de Gwaragedd em Gales, de Ninguyo no Japão, de Zavas na Polônia, de Mouras encantadas em Portugal, de Mães d'água na África.

É Dagon e Partênope, Lígia e Leucósia, Teodora e Murgen.

E no Brasil, a sereia se chama Yara. Diz a lenda:

"Yara, a jovem Tupi, era a mais formosa mulher das tribos que habitavam ao longo do rio Amazonas. Por sua doçura, todos os animais e as plantas a amavam. Mantinha-se, entretanto, indiferente aos muitos admiradores da tribo.
Numa tarde de verão, mesmo após o Sol se pôr, Yara permanecia no banho, quando foi surpreendida por um grupo de homens estranhos. Sem condições de fugir, a jovem foi agarrada e amordaçada. Acabou por desmaiar, sendo, mesmo assim, violentada e atirada ao rio.
O espírito das águas transformou o corpo de Yara num ser duplo. Continuaria humana da cintura para cima, tornando-se peixe no restante. Yara passou a ser uma sereia, cujo canto atrai os homens de maneira irresistível. Ao verem a linda criatura, eles se aproximam dela, que os abraça e os arrasta às profundezas, de onde nunca mais voltarão."


A lenda acima mostra uma face até então desconhecida do mito, que sempre apresenta a Yara como um encantado aquático, pouco se falando, no Brasil, sobre uma origem humana. Normalmente, é retratada como uma mulher de cabelos muito longos, sobrenaturalmente verdes ou de um louro dourado, que usa um pente de ouro e carrega os homens para o fundo do rio.

É interessante perceber que sendo um mito híbrido, como grande parte dos mitos, aliás, essa história encontre ressonâncias em uma fábula que inspirou um poema de Pablo Neruda. O poema nos fala de uma sereia que entra completamente nua em uma taverna, repleta de homens bêbados. Eles começam a cuspir insultos na sereia perdida, extraviada. E ela, como não sabia chorar, não chorava. Como não sabia se vestir, não se vestia. Ela não falava, pois não sabia falar. Os olhos da sereia eram feitos da cor de um amor distante, seus braços construídos de topázios gêmeos. Tatuaram-na então estes homens, com pedaços de rolha queimada e cigarros e riram dela até caírem, totalmente ébrios. A sereia, repentinamente, sai pela porta e assim que entra no rio, volta ter a pele limpa e macia, reluzente como uma pedra na chuva. E sem voltar seus olhos para a taverna imunda, parte a nadar. E nada até morrer.

Sem querer entrar no terreno da psicologia, a sereia parece sempre trazer no peito uma grande dor de amor. Normalmente, é vítima de alguma injustiça, quando na sua forma humana. E pelo jeito, nem aqui no Brasil escapou da sua tristeza e de uma inegável melancolia, raiz do seu instinto rebelde e vingativo. A dor e a falta da sua contraparte masculina passam a fazer parte de sua natureza, de modo indistinto. E por isso causa devastação, por onde quer que encante.

As influências que o mito da brasileira Yara sofreu vieram das mais diversas procedências. E encontraram um fértil terreno no Brasil, terra de Cy aquáticas, dos mitos da serpente primeva, dos terríveis ipupyraras, seus parentes autócnes.

Os ipupyaras são monstros da água, normalmente dados como seres masculinos. Pelo menos é isso que encontramos em Osvaldo Orico, Câmara Cascudo, Teodoro Sampaio e outros medalhões do nosso folclore. Talvez o primeiro registro dos ipupyaras tenha sido feito por José de Anchieta: "Há também nos rios outros fantasmas, que chamam de Igputiara, isto é, que moram n'água, que matam do mesmo modo os índios".

Podemos encontrar alguns subsídios sobre os ipupyaras também no livro de Afonso de Escragnolle Taunay, "Zoologia Fantástica do Brasil", editado pela Edusp. Nele, encontramos um dos registros
dos homens-aquáticos, dado pelo jesuíta Fernão Cardim2.

"Estes homens marinhos se chamam na língua Igpupiara; têm-lhe os naturais tão grande medo que só de cuidarem nele morrem muitos, e nenhum que o vê escapa; alguns morreram já e perguntando-lhes a causa, diziam que tinham visto este monstro; parecem-se com homens propriamente de boa estatura, mas têm os olhos muito encovados. As fêmeas parecem mulheres, têm cabelos compridos, e são formosas; acham-se estes monstros nas barras dos rios doces. Em Jagoarigipe sete ou oito léguas da Bahia se têm achado muito; no ano de oitenta e dois indo um Índio pescar, foi perseguido de um, e acolhendo-se em sua jangada o contou ao senhor; o senhor para animar o Índio quer ir ver o monstro, e estando descuidado com uma mão fora da canoa, pegou
dele, e o levou sem mais parecer, e no mesmo ano morreu outro Índio de Francisco Lourenço Caiero. Em Porto Seguro se vêem alguns, e já têm morto alguns Índios. O modo que têm para matar é: abraçam-se com a pessoa tão fortemente beijando-a e apertando-a consigo que a deixam feita toda em pedaços, ficando inteira, e como a sentem morta, dão alguns gemidos como de
sentimento e, largando-a, fogem; e se levam alguns comem-lhe somente os olhos, narizes e a ponta dos dedos dos pés e das mãos, e as genitálias, e assim os acham de ordinário pelas praias com estas coisas menos."

É interessante que os jesuítas e viajantes dão notícias sobre a existência dessas figuras rodeando-lhes de aura de 'verdade', ou seja, como se fosse um fato incontestável. E podemos notar também o registro, em 1583, dos ipupyaras femininos. Ou seja, depois de 1500, o que a crônica colonial traz de mais puramente indígena, no que concerne a monstros ou deidades da água, são os ipupyaras.

Taunay, ao sintetizar o 'crème de la crème' da Zoologia Fantástica na crônica colonial, relata que os ipupyaras eram bastante aproximados do peixe-boi, ou ainda, a uma espécie de leão marinho. Existe a Cy (Mãe) do Peixe Boi, a Xundaráua, uma espécie de madrinha da pesca. Faz com que os pescadores não voltem do rio sem trazer um daqueles mamíferos. Exige, porém, que não se mate o primeiro que surja e que não se mate mais de um animal. Quem violar essa determinação nunca mais terá êxito nas suas empresas. Esse dado denota que existe algum tipo de culto ("culto" a maneira
indígena, é bom frisar) do Peixe Boi.

E o mito da Cobra Grande? É Rainha dos encantados no ciclo fluviônico (ictiológico ou aquático) dos indígenas. As lendas aquáticas originaram-se do ctonismo silvícola e sua idéia fundamental repousa na idéia de um ser feminino, corporificado na água. Um dos melhores exemplos é a Lenda do Nascimento da Noite. A melhor versão e também a menos simplificada é dada por Adaucto Fernandes, em que a Cobra Grande é relacionada a uma deidade feminina da água, Amana.

Vejamos o mito Cobra Grande, original do Rio Branco:

"Uma das lendas da Boiúna, conta que uma linda cunhã, de grandes e vibrantes olhos negros, costumava andar na sua canoa pelo Rio Branco. Ela encantava a todos com a sua beleza e do seu corpo emanavam raios luminosos que se transformavam em música e atraiam os peixes. Por isso, acreditavam os pescadores que, quando ela singrava pelas águas, a pesca seria farta. Suspenso no seu colo estava sempre o Muirakitã, seu amuleto sagrado. Um dia, o Rio Branco, já tomado de amores pela jovem, também começou a emanar raios luminosos. E pelo efeito mágico do Muirakitã, os raios de luz da cunhã e as emanações do rio cruzaram-se, o que transformou a moça em uma enorme cobra, a Boiúna. Nas noites de lua cheia, a guardiã do Rio aparece e traz muitos peixes para que os habitantes ribeirinhos possam alimentar-se. Agora, se alguém aparece para depredar o rio a Boiúna vira as embarcações, matando seus barqueiros."

A imensa massa fluvial brasileira, país que acolhe o maior rio do mundo, não poderia deixar de ter suas Mães d'Água. É uma pena que nosso povo primevo, ágrafo, não as tenha registrado senão nos relatos orais ou nas peças de cerâmica. Dependemos dos primeiros cronistas, sempre a registrar os mitos com filtro etenocêntrico e agora, felizmente, do competente trabalho de resgate de antropólogos, etnólogos e arqueólogos.

A Cobra Grande é a principal raíz do mitos aquáticos. Temos além do rio, uma das maiores cobras do mundo, a anaconda ou sucuriju, correlato real da Cobra Grande.

Continuando com as cobras, visitemos o mito de Tuluperê3:

"Sendo o animal que mais se aproxima do simbolismo cíclico do vegetal, a cobra encontra uma relação com os produtos da tecedura e da fiação. No Brasil, a representante é Tuluperê, outra das faces da Cobra Grande. Tuluperê, segundo nos conta a Lenda da Cestaria, vivia nas profundezas do Rio Paru, um afluente do Amazonas. Suas cores eram o vermelho e o negro, sendo como um híbrido da sucuriju e da jibóia. A cobra virava os barcos e quando atracava alguma vítima, apartava-a até a morte e então, a devorava. Certo dia, o pajé da tribo dos Wayana, do tronco Karib, conseguiu matar a flechadas Tuluperê e guardaram na memória os desenhos que ornamentavam a sua pele. Daí por diante, passaram a reproduzir esses grafismos em suas cestas".

Tendo permanecido na arte da cestaria, o mito de Tuluperê é revivido: mito e ritual.

Temos também no nosso repertório as mulheres míticas, algumas delas transformadas em deidades da água como Amana (Karib); Maïsö (Paresi); Naoretá (Tupari); Katxuréu (Macurap) e Iururaruaçú (Uaiás).

Das deidades acima citadas, não é possível afirmar que persistam cultos e ritos. Mas existem uma, em especial, que faz parte de toda uma ritualística indígena: Tauvyma, personagem mítico feminino dos Asuriní do Xingu, um espírito das águas que um dia foi mulher. Sua presença nas águas é chamada de Tauva e faz parte de um corpo extenso de rituais.

Ainda dentro do aspecto ritualístico temos uma série de divindades invocadas pelos xamãs Kaapor, chamadas de Irïwär, que se acredita ajudarem os xamãs a predizer o futuro, a restaurar suprimentos de caça esgotados e a diagnosticar e curar doenças. O xamanismo envolve uma performance pública, assistida por habitantes da aldeia de todas as idades. Os xamãs Ka'apor afirmam ter sido chamados espiritualmente para esta ocupação quando arremessados em um córrego pela Mãe d´Água.

A nossa Yara, a sereia brasileira, é cria híbrida de muitos mitos, assim como o nosso povo é fruto de várias etnias. Mas também é, sem dúvida alguma, uma sobrevivência do imaginário dos povos indígenas, das mais variadas clãs e estirpes. E é das sereias que a imaginação se alimenta nas serenas madrugadas das nossas matas. E a história persiste, mostrando a enorme vitalidade de um dos mais belos mitos que a humanidade já criou.

Segurem-se nos mastros, meninos, ao escutarem um canto doce em uma noite de lua, ao passarem por um igarapé distante ...

Em Cy,

Zoe de Camaris


1- http://www.estadao.com.br/villasboas/yara.htm
LENDAS INDÍGENAS - Texto adaptado do livro Lendas e Mitos dos Índios Brasileiros
FTD Editora - Walde-Mar de Andrade e Silva

2 - TAUNAY, Afonso de Escragnolle. Zoologia Fantástica do Brasil. São Paulo: Edusp. p.102,103

3 - ver em VELTHEM, Lúcia Hussak van. A Pele de Tuluperê: uma etnografia dos
trançados Wayana. Belém: Museu Paraense Emílio Goeldi, Coleção Eduardo
Galvão, 1998, 251p.

4 - MÜLLER, Regina Polo. Os Asuriní do Xingu: história e arte. Campinas: Editora
da Unicamp, 1990.







Não deixem de visitar o blog da minha amiga Karen, ROCKS BLOG, cheio de novidades musicais para quem curte música para valer, como eu.
http://karenwaleria.blogspot.com/
Peguei esse vídeo no blog dela, espero que gostem tanto quanto eu...







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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

† O GATO



† Saudações, queridos súditos e frequentadores
do meu Mundo de Magia!

Hoje, eu trouxe um conto maravilhoso desse escritor
cujo trabalho admiro muito.
Espero que apreciem...


Adorável Noite




† O GATO
Por Adriano Siqueira


Em seu quarto, com o livro de partituras flutuando e folheando sozinhos, Witch fica dançando fazendo os objetos em sua volta dançar com ela, enquanto estuda para as aulas de música. Esse é o seu jeito para sentir a música.
Jonas, o mordomo, interrompe a dança mágica com um bater na porta.
- Srta. Chegou um presente, é uma caixa. Coloquei na sala.
Witch adora presentes e surpresas. Seus poderes não são tão completos para poder adivinhar o que tem dentro da caixa... mas seria terrível saber o que ganhar antes de abrir e as vezes se sente como humana, é adorável e excitante.
A caixa estava lá ... parecia ser uma gaiola. Ela abriu com toda a velocidade de uma mulher quando ganha algo.
Um gato... e preto. lindo .. ele lambia seu rosto como se já conhecessem.. foi amor a primeira vista.
- A Srta. tem certeza que quer ficar com ele?
- Claro Jonas! é lindo... já viu uma bruxa sem um gato preto?
Jonas desaprovou a idéia mas, mesmo assim, pegou o leite na geladeira...e disse ironicamente.
- Sim srta. tem razão .. vou providenciar o caldeirão e as vassouras também... Quem sabe transformamos a mansão em uma simples casa de chocolate?
- Fazendo uma careta Witch pega o gato e leva para o quarto!
- Vou ficar com ele Jonas e ...agora que notei ... Você ficaria bem de ratinho branco.
A noite chega e Witch dorme tranqüilamente. O gato na cabeceira da cama olha para a lua e depois disso nada será como antes... A transformação tem início... Aquele gato virará um homem!
- Srta... - dizendo bem baixo para a Witch...- Precisa me ajudar...
Witch acorda e com seus reflexos prende o homem com grades feitas por luzes sólidas.
- Quem é você??? Como entrou ?? Cadê meu gato???
- Por favor senhorita .. eu não posso responder tudo de uma vez. Tenha calma. Não sou seu inimigo. Apenas peço seu auxilio. Esta maldição apenas me deixa nesta forma a noite e de dia volto a forma de um gato! Meu reino está em apuros tenho que voltar mas, antes peço para que retire a maldição que esta em mim.
Witch olha para aquele homem bonito e muito alto, ele poderia facilmente dominá-la se não tivesse poderes de bruxaria mas, ela, por alguma razão confia e o liberta!
- Certo mas, se der uma de engraçadinho, eu pessoalmente deixo você com forma de gato pro resto da vida!
Pegando os livros e grimórios mais antigos ela pesquisa sobre este feitiço.
- Srta.. temos companhia.
A lua que estava brilhando como um Sol. É coberta por vultos negros. Eram milhares de morcegos que estavam indo a direção àquela mansão.
- Estou levantando uma barreira para eles não entrarem na mansão. Pelo menos por uns 10 minutos espero terminar isso antes!
Dizendo algumas palavras ela joga o feitiço naquele homem que agora é meio homem meio gato!

- Ótimo agora estou vestido para um baile a fantasia..obrigado. - Olhando com raiva para Witch.
- É o melhor que eu pude fazer seu mal agradecido. Agora você ficará nesta forma dia e noite.
- O melhor? Estou parecendo o leão covarde do Mágico de Oz.
- Pois é melhor um leão do que um rato que é no que vou te transformar se você continuar tagarelando!
- As mulheres da cidade são sempre assim? por isso gosto do campo.
Jonas entra no quarto e vê a briga dos dois e não consegue evitar em dizer.
- Srta Megera Domada os morcegos estão batendo na porta. Posso deixá-los entrar pra tomar um chá enquanto você marca a data do casamento!
- AAAAAhhhh! Odeio homens!
Usando as músicas que havia criado ela faz uma barreira de som envolta dos morcegos fazendo com que eles fiquem perdidos e sem direção espalhando-se pelo céu e terminando a ameaça!
- Ora vejam só! - falava o homem-gato batendo palmas - Consegui fazer um feitiço que funciona em menos de meia hora.
- Deita na cama agora!!!
- Hei! Essa não é a maneira certa de cortejar um homem!
- Agoraaaaa!!!
- Tá bom. Tudo bem mas, e esse garçom ai? Vai ficar olhando?
- É mordomo! E não é pra fazer sexo que quero você ai... é que deitado e parado o feitiço será mais fácil de retirar!
- Se você ficar quieto eu darei uma sardinha de presente! - Jonas disse isso rindo da situação.
- Odeio cidade grande...
- Quieto estou terminando...
- Ser um gato não era tão ruim...
- Quieto ou eu o transformo em papagaio!
- Currupacoooo... - Jonas estava no chão de tanto rir!
A luz era bem pequena e tomou, de repente, toda a parte do quarto. Quase chegou a iluminar a cidade a sua volta... Gritando palavras que apenas Merlin sabia o significado, o corpo daquele homem-gato aos poucos voltava a ser como era, humano.
- Finalmente! - disse ela!
- É mesmo! Funcionou estou inteiro de novo!
- Acho que não senhor o seu rabo sumiu!
- Engraçado Jonas... já viu mordomo partido em dois?
- Parem com isso vocês dois!
- Tudo bem ... já vou indo. As bruxas da cidade me fazem mal.
- Os homens-gatos também. -Disse Witch olhando para ele.
Aquele homem segue seu caminho. Ele olha para Witch e seus olhos mostram agradecimentos e antes dele falar Witch interrompe.
- Eu fiz o que deveria fazer. quando tiver mais problemas apareça.
- Sempre terá uma tigela de leite te esperando. - Jonas sempre irônico – é atingido pelo cotovelo da Witch.
- Não liga pra ele... volte sempre sim.

O homem sorri, e segue seu caminho para seu reino pronto para voltar a batalha.
- Corajoso. - Jonas diz - Ele voltará.
- Claro! - Witch vai até a janela e acena para ele...
- Eles sempre voltam.


Adorável Noite



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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

† Eterna travessia


† Eterna travessia
Carla_Witch Princess

A imensidão da noite lhe invade a alma
E a travessia das madrugadas é seu consolo
Criatura revoltada, de espírito sempre inquieto
Criatura solitária, filha da lua, atormentado ser que,
Na sua infinita busca pelo saber
Volta-se para dentro de si mesmo, ser enclausurado,
Isola-se do mundo externo e viaja na complexidade
Do seu interior, infinitamente então, assim ela segue,
Dominada pelo burburinho de sentimentos...
Assustada...
Com a intensidade dos próprios pensamentos
Que a mantêm prisioneira...
Prisioneira de sua essência, envolvida numa
Eterna busca, busca que agita...
Busca que arrebata...
Busca que assusta...
Busca solitária, solitário viver...
Longe de tudo e de todos, dentro de sua alma...
Encontra apenas, a eterna travessia angustiada
Por infinitas madrugadas!



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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

† A Mulher de Branco


† A Mulher de Branco
Carla_Witch Princess

Esta história que eu vou contar aqui, resumidamente, é uma história verídica (mesmo). Lá na minha cidade, a "Mulher de Branco" é bem conhecida dos motoristas de táxi que trabalham à noite, porque ela sempre aparece, chama o táxi, entra, sempre fornece o mesmo endereço para o taxista e, quando o táxi finalmente chega ao endereço que ela pediu, e o motorista vai dizer quanto saiu a corrida, ela desaparece bem no
momento em que o homem vai olhar para ela, no banco de trás, onde ela estava sentada, somente o vazio...
Ela era uma moça de família de classe média, muito linda e jovem - devia ter uns vinte e poucos anos, e tinha a sua vida muito controlada pelos pais - sempre muito rígidos e exigentes.
Não deixavam que ela fosse sozinha a lugar algum, nem mesmo às festas de aniversário das amigas (poucas amigas ela tinha, na verdade), se a mãe ou a irmã mais nova não pudesse acompanhá-la, o seu pai não a deixava sair. Sua vida se resumia nos estudos. Porém, conheceu um jovem (mais ou menos da idade dela), apaixonou-se perdidamente, e ele por ela e passaram a namorar escondidos (na faculdade). Quando iam completar um ano de namoro, o rapaz já estava decidido a pedí-la em casamento - iria enfrentar o pai dela e dizer a ele o quanto a amava e que tinha condições de casar-se com ela (o pai do rapaz era um empresário muito bem sucedido e ele trabalhava com seu pai). Estava tudo acertado, então: ela combinou de encontrar seu namorado num restaurante para comemorarem a data e, no dia seguinte, ele iria falar com o pai dela. Porém, quis o destino que esse lindo romance tivesse um fim trágico. O pai dela descobriu que ela estava namorando, já fazia algum tempo - ele ficava quieto e não falara nada para ela porque queria pegá-los juntos - estava só esperando a oportunidade perfeita. E foi o que aconteceu: mexendo na bolsa da filha, o pai dela encontrou um papel com o nome do restaurante anotado, e a hora em que se encontrariam (o pai dela conhecia aquele restaurante).
Os dois apaixonados estavam muito felizes naquele dia: ela saiu mais cedo da faculdade para ir ao encontro dele no restaurante (ele não tinha aula naquele dia, pois frequentava outro curso).
Ela tinha escolhido um vestido muito lindo numa loja, especialmente para aquele dia: um vestido branco - bem básico, mas muito elegante e ficava muito bem nela, que tinha os cabelos bem negros e longos - ela estava linda! Ela chegou na hora combinada, ele já estava esperando, beijaram-se apaixonadamente e sentaram-se para fazer o pedido ao garçom - neste momento, o pai dela entrou e viu os dois falando com o graçom. Aproximou-se da mesa e foi então que ela viu o seu pai e empalideceu de terror (ele estava de arma em punho):
-Então, você não está na sua aula? Veio encontrar-se com esse cara - que decepção, minha filha! - os olhos dele brilhavam de ódio. Nesse momento, apontou a arma para o namorado dela e ela colocou-se na frente dele bem quando o pai dela atirou - ela caiu sangrando, o tiro pegou bem no meio do tórax.
Essa bela mulher morreu nos braços do pai e do namorado - que ironia - o pai dela esqueceu toda a raiva naquele instante tão triste. Ocorre que até hoje, ela pega um táxi para voltar para casa (é sempre o mesmo endereço que ela fornece ao motorista - onde ficava a casa dela) e esperar, feliz, pelo dia seguinte, quando seu amado iria pedí-la em casamento. É... Uma pena, mesmo!


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sábado, 22 de agosto de 2009

† Indecifrável Dama


† Indecifrável Dama
Carla_Witch Princess

Eis ela que chega
Para alguns, sombria e apavorante;
Para outros, doce e radiante consolo desejado
Eis que ela chegou arrebatadora
Interrompendo uma sequência duvidosa
Tomando em seus braços as almas
Carregando para a eternidade os seres humanos
Será?
Será que assim procede mesmo?
Para onde nos carrega essa misteriosa dama?
A morte, irredutível, inflexível,
Para alguns, cruel e malévola;
Para outros, doce descanso até desejado
Mas, a verdade, é que ninguém sabe
Para onde vão as almas por ela carregadas
Essa dama, tirana
Firmemente determinada em sua infinita missão
O que é mesmo certo, é só uma coisa:
Que um dia, para cada um, ela virá
Visita, para alguns horripilante;
Para outros, maravilhosa aparição
E, então
Eis ela que chega
Firme, determinada, inflexível, ditadora:
A morte, implacável,
Essa indecifrável Dama!



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