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  • domingo, 27 de fevereiro de 2011

    Desejos Sombrios - Adriano Siqueira


    Nuvens cinzas passavam trovejantes por cima do castelo.

    O Sol estava escondido, a claridade vinha dos relâmpagos.

    A masmorra, que era bem no topo do castelo, não tinha teto. Havia apenas um vampiro acorrentado que gritava angustiado, pois ele sabia que a sua existência agora, dependia daquelas nuvens cinzas. Enquanto elas estivessem por lá, ele estaria "vivo".

    A porta da masmorra abriu e de lá apareceu a rainha, que usava um vestido vermelho da cor dos seus cabelos e disse enfurecida.

    - Suas magias do tempo estão apenas adiando o inevitável! Logo virará cinzas e sua essência e a sua arrogância pela sua viva amaldiçoada se transformará em uma vaga lembrança para a humanidade!

    - Humanidade que não preciso! Dizia o vampiro irritado. Conhecer você, minha cara rainha, só me fez mais arrogante para com os humanos e descobri que humanos nasceram para sofrer, pois é só assim que aprender a dar valor a vida, as pessoas a sua volta, ver realmente o que o coração sente. Prefiro ser vampiro do que ser um de vocês que se matam por um punhado de terra ou para manter seu nome floreado por um título só para ter mais atenção esquecendo completamente o motivo de um título, não é verdade... Rainha.

    - Chega! - A rainha pega a espada e coloca no pescoço do vampiro. - Eu mesma vou dar fim nesta sua vida mediocre!

    - Liberte-me rainha! E mostrarei para você o quanto a sua vida é preciosa. O quanto posso deixá-la excitante e cheia de prazer. Deixe-me mostrar que existe um mundo onde realmente vale a pena viver, existir, sentir e assim posso ao menos dar valor a minha, sua presença me traria muita vontade e juntos, fariamos o mundo tremer. Ensinariamos ao universo o verdadeiro significado da Vida.

    - Mas você não é vivo como pode falar de vida?

    - A vida feita sobre vontades e desejos e isso nunca me faltará não enquanto eu ver que você poderia compartilha-la comigo.

    A rainha pensa por alguns segundos. Solta a espada e tranca a porta da masmorra. Liberta o vampiro.

    - Vá e não volte mais para este castelo.

    - Eu irei rainha. - o vampiro beija a sua mão. - Mas voltarei à noite, em seu quarto, por isso, deixe a sua janela aberta e prometo que terá a melhor noite da sua vida.

    - E que a noite seja adorável.

    - Então... Uma adorável noite!



    A rainha acorda, vai até a janela, vê que ainda é noite. Olha para a lua e fica pensando no sonho que teve... e o quanto seria excitante se não fosse apenas um sonho.

    Ela se vira para voltar para a sua cama e não percebe a silhueta de um morcego aparecento de em frente a lua, voando em direção ao castelo.


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    domingo, 20 de fevereiro de 2011

    REALIZARIUM




    REALIZARIUM

    Autor: Fernando Ferric

    Frank caminhava a passos curtos e rápidos. Em uma mão segurava sua pasta de couro, na outra um cigarro, que acendeu na bituca de outro que acabara de fumar. Ele estava determinado. Aquele seria seu ultimo dia de vida. Nada dava certo, e sempre foi assim. Tentou, lutou muito para vencer, obter sucesso profissional e estabilidade financeira. Mas, como conseguir se sempre era preterido pelo seu chefe? Maldito Apolinário! – pensava. Ele contava com a promoção, estava afundado em dividas, luz, telefone, a escola dos filhos, a casa hipotecada. Como ia contar para sua família que não havia conseguido? Que não seria mais nomeado editor chefe do caderno de esportes. Todos esperavam que após a aposentadoria do antigo editor ele assumisse essa função. Mais de quinze anos de dedicação, trabalhando como louco naquele jornal, esperando a sua chance, e, quando tudo parecia dar certo, deram o cargo para um jovem que estava pouco mais de dois anos na redação. Mas o outro tinha um trunfo que ele não possuía, era noivo de Julia, filha de Apolinário. Uma mulher horrível, a única coisa que a tornava atraente era a enorme fortuna e poder que carregava no sobrenome.

    Não ia suportar tamanha humilhação, como ia olhar para seus filhos, para sua mulher? Isso atormentava sua cabeça e ele sabia que o único jeito era estourar seus miolos. Por isso estava lá, em frente a uma loja de armas, olhando pela vitrine todas aquelas máquinas de matar, imaginando o buraco que faria na sua cabeça cada calibre. Era a melhor maneira para se matar, já que não tinha coragem de se jogar de um prédio, ou de se enforcar. Mas um tiro seria rápido e provavelmente indolor.

    “Vejo que quer tirar sua vida”

    Frank olhou assustado para trás, mas não havia ninguém atrás dele, só as pessoas que caminhavam do outro lado da rua. Mas aquela voz tinha sido um sussurro em seu ouvido.

    - Ora! Devo estar ouvindo coisas. – pensou.

    “Não está! Eu quero ajudar você!”

    - Quem está falando? Que brincadeira é essa? – esbravejou pisando no que restara do seu cigarro.

    Sem resposta, pensou estar participando de alguma pegadinha daqueles shows que tanto odiava na televisão. Mas não havia tempo para tolices, tinha que entrar na loja, comprar uma arma e depois explodir sua cabeça em um canto qualquer daquela cidade imunda. Sua massa encefálica seria apenas mais lixo em meio a tantos outros.

    Ao encostar a mão na maçaneta para entrar na loja, a voz sussurrou novamente em seu ouvido.

    “Frank, Frank, Frank…. Eu tenho a solução para seus problemas. Não compre essa arma!”

    Ele parou, deixando a pasta cair no chão.

    - O quê? Você disse meu nome? Mas que raios! Quem é você?

    “Sim, Frank! Sei seu nome, e também sei que posso te ajudar... Estou aqui, na vitrine ao lado”.

    Frank pegou sua pasta, coçou a cabeça, olhou ao seu redor, tentando decifrar o que era aquilo. Aproximou-se da vitrine na loja ao lado, uma loja de artigos esotéricos. Havia dezenas de objetos ali; gnomos, duendes e bruxas de gesso, incensos, pedras... Não havia ninguém naquela vitrine. Pensou estar mesmo maluco.

    “Isso, Frank... Consegue me ver? Cá estou!”

    - Mas que diabos! Onde? Onde? – disse Frank confuso.

    “Estou ao lado dos gnomos...”

    O objeto parecia uma estátua de um monstro, com asas e garras afiadas, e na sua base um pequeno recipiente em forma de prato.

    - Isso é você? – se aproximou ainda mais da vitrine – Não é possível, não posso estar falando com uma estátua.

    “Não Frank! Não sou uma estátua... Sou um “Realizarium”... Não sou como esses outros objetos.”

    Frank não conseguia acreditar naquilo, ele ouvia aquela voz em seu ouvido, mas o objeto sequer se movia. Encostou o seu rosto na vitrine como se pudesse tocá-lo com os olhos.

    - Algum problema, senhor?

    - Não! Nenhum... Você trabalha aqui? – perguntou ao jovem que saiu de dentro da loja.

    - Sim, eu trabalho.

    Frank se aproximou dele. E disse com a voz bem baixa, quase inaudível.

    - Esse negócio... Ele fala? - apontando para o objeto.

    O rapaz deu um leve sorriso.

    - O Realizarium? Não senhor... Isso é o que contam desse objeto. Mas é tudo lenda, assim como os gnomos, fadas e bruxas... Mas meu chefe não pode escutar eu falando isso, não é? Afinal, eu tenho que vender...

    Frank abaixou a cabeça, consternado.

    “Lenda? Não acredite nele Frank, sou real! Esse estúpido de nada sabe...”

    - Rapaz... Qual a lenda desse tal Realizarium? Eu nunca ouvi falar nisso.

    - Poucos conhecem. Meu chefe que sabe a história certinha, mas ele não está. Parece que esse objeto era um culto há um demônio, e era muito comum no Egito antigo. Chama-se Realizarium porque realizava os desejos dos seus donos.

    Mesmo não acreditando muito em tudo aquilo, por uma pequena quantia comprou a peça.

    Ao chegar em casa, mal conversou com sua esposa e foi direto para o seu escritório, trancou a porta para certificar que não seria incomodado. Abriu o embrulho e colocou o objeto em cima da mesa, preparou uma dose de whisky, acendeu um cigarro, sentou confortavelmente em sua cadeira, e ficou observando atentamente o objeto.

    Aquela voz não lhe tinha dito mais nada. Perguntava se realmente aquilo tinha sido real, e começava a se arrepender de não ter comprado a arma. O silêncio o incomodava.

    - Por que não está mais falando comigo? – pegando o objeto em suas mãos – Seja lá o que você for, disse que me ajudaria, e estou precisando realmente.

    “Ora, Ora... Então está deixando de ser cético? Muito bom! Frank, Frank, Frank... Vou ajudar você sim. É só me pedir o que quer, mas preciso de algo muito valioso para mim, algo que também é vital para você, mas eu necessito de pouco, não lhe fará falta.”

    - Então pode realmente me ajudar?!! Mas o que preciso fazer? Faço tudo que puder para sair dessa situação.

    “Eu sei Frank... Eu sei! Preciso apenas de algumas gotas do seu sangue, faça seu pedido, fure seu dedo na ponta de minha garra, e deixe pingar algumas gotas. Simples não é? É bem favorável a você... Eu resolvo seus problemas, em troca de um pouco do seu sangue. Mas se não quiser... Sabe onde encontrar aquela arma”.

    Achou estranho tudo aquilo, mas como não encontrava solução para seus problemas, resolveu arriscar, já que não teria nada a perder. Desejou que lhe fosse dado o que achava seu, por mérito. A promoção que tanto lutou e esperou conquistar. Enfiou o dedo no copo de whisky e o perfurou com a ponta de uma das garras do monstro talhado em madeira. Aos poucos, pequenas gotas de sangue deslizavam vagarosamente pelo objeto, passando por todo corpo até sua base.

    “Frank, Frank, Frank… Tens um sangue tão doce... Quando menos esperar o que desejou estará acontecendo.”

    - Meu amor... O jantar está pronto! Frank? Porque trancou a porta? Está tudo bem? – disse sua mulher batendo na porta.

    - Sim Anne, está tudo bem... Já vou descer, só não queria ser interrompido, subi para ler e acabei cochilando.

    Colocou a peça em sua estante, como se fosse parte da decoração ambiente. Entre fotos, porta canetas, agendas, aquele pequeno demônio de madeira absorvia ainda o sangue depositado.

    No jantar, ele estava longe, distraído, não parava de pensar no Realizarium, mas quando Josh, seu filho, disse que sua irmã estava namorando Paul Larusso, quase engasgou. Ele detestava aquele rapaz, que vivia pra cima e pra baixo com sua motocicleta barulhenta por todo o quarteirão. Sua mulher sempre paciente tentou botar “panos quentes”, mas ele não engoliu aquilo, seu filho tinha apenas sete anos, mas não era de ficar inventando. Olhou no relógio, já eram mais de nove horas, e ela ainda não estava em casa. Tentou terminar de comer, mas aquela noticia indesejada lhe roubou a fome.

    - Hoje eu vou ter uma conversa com a Lisa. Ela não escapa! – disse ele ao levantar da mesa.

    Sua mulher o chamou para deitar, mas ele ficou lá, imóvel no sofá, aguardando. E por volta de onze horas, quando ela retornou, ele foi direto ao ponto. Disse que não aceitava o namoro, e que não queria nem sonhar que ela estivesse se encontrando com o tal. Ela tentou negar, mas depois admitiu e disse que ele não tinha mais que tomar conta da sua vida, pois já era suficientemente adulta para saber o que fazia. Os dois discutiram, e só pararam quando sua mulher interveio.

    Na manhã seguinte, Frank acordou assustado, sua cabeça doía, ainda pelos problemas passados no dia anterior. Maldita quinta-feira! – esbravejou – Ao perceber que estava atrasado, se arrumou rapidamente e foi para o trabalho.

    Ao se aproximar notou uma enorme movimentação de curiosos, a presença da polícia e de uma ambulância na entrada do jornal.

    - Eu trabalho aqui! – disse ao ser barrado por um policial.

    - Desculpe senhor, mas a entrada só será liberada depois da perícia.

    - Perícia? O que está acontecendo? – perguntou, tentando espiar.

    - Frank! Já está sabendo o que aconteceu? – disse um dos repórteres que trabalhava com ele.

    - Não!!! Eu acabei de chegar...

    O repórter lhe acendeu um cigarro, e o convidou para tomar um café no bar em frente.

    -Frank, você não vai acreditar! Houve um horrível acidente, eu estava entrando e vi tudo que aconteceu. O elevador, não me pergunte como, travou com tudo, bem na hora em que Carl estava entrando. Ele ficou preso, gritou por socorro, mas ninguém conseguiu fazer nada, e quando o elevador subiu, seu corpo foi totalmente cortado, como se fosse um boneco de pano. Nunca vi nada parecido, uma parte do corpo ficou no elevador e outra no saguão. Cara... Foi horrível!!! Poderia ter sido comigo... Ou até com você! Que fatalidade...

    - Espera! Você disse Carl? O novo editor Carl Edward??? – perguntou Frank espantado.

    -Sim meu caro amigo... O seu novo... Alias, ex-chefe né? O velho deve estar inconformado, logo agora que ele arrumou um noivo para filha.

    Frank colocou a mão na boca, surpreso, imaginava que aquilo não podia ter sido mera coincidência, que poderia, sim, ter sido obra do Realizarium. Ele desejou o cargo, e agora a pessoa que estava com ele, estava morta. Ficou ali sentado no bar, aguardando levarem o que sobrara do corpo do rapaz. Fingindo prestar atenção no que dizia seu colega repórter.

    À noite, no velório do genro, enquanto a filha fazia um verdadeiro show de lamentação no caixão do noivo falecido, Apolinário chamou Frank para uma conversa. Disse que um jornal não devia parar nunca, e ele, como dono, sempre pensava no dia seguinte, e que o cargo de editor agora lhe pertencia. Frank só não comemorou porque, na hora, lembrou estar em uma sala de velório. Mas saiu do cemitério dando pulos de alegria. Era editor! E nem precisou namorar a filha feia do patrão...

    Ao chegar em casa, contou a novidade. Sua mulher há tempos não o via tão feliz. Ele propôs jantar fora, para comemorar. E teria sido uma noite perfeita, se sua filha estivesse presente. Devia estar de novo com aquele marginal! - pensou. Nem pôde conversar com ela, pois, quando voltaram do jantar já estava dormindo. Antes de deitar foi até seu escritório.

    -Não que eu duvidasse, mas realmente aconteceu o que prometera. Só acho que não precisava ter acontecido dessa forma. - disse ele com o Realizarium nas mãos.

    "Frank, Frank, Frank! O fim justifica os meios, não? Quem se importa? Ninguém ali nunca pensou em você. Não seja um tolo!"

    - Tá certo! Muito obrigado... Agora tenho que dormir. - disse saindo da sala.

    "Queria eu que estivesse tudo certo, Frank."

    - O que disse?

    "Não vê com preocupação o namoro da sua querida filha?"

    Ele retornou até a criatura.

    O que tem minha filha? Por que está dizendo isso?

    "Aquele rapaz, não é a pessoa certa para ela! Não quer sua filha envolvida com uma pessoa ruim, ou quer? Sei que não, Frank! Lembre-se que estou aqui para realizar seus desejos. Sejam eles quais forem..."

    Ele ficou ali, parado, pensando que realmente seria bom afastar a filha daquele sujeito.
    - Você tem razão! Mas só o afaste! Sem mortes, sem sangue... Compreende? Acho que um susto caberia muito bem.

    "Frank, Frank, Frank... Seu desejo será então realizado... Agora vamos senhor editor! Me dê mais um pouco do seu sangue!"

    Frank não lhe negou novamente. E parecia até começar a gostar de sustentar a estranha criatura.

    No dia seguinte, estava realizado na sua mesa nova, brincando com a placa de editor que estava ali postada. Sabia que jamais alguém acreditaria numa história daquela, e se sentia um homem de sorte por ter encontrado tal criatura. Não precisava de mais nada... Porque capacidade para crescer cada vez mais no jornal, tinha de sobra.

    Mas no fim da tarde, seu telefone tocou e quando atendeu toda a sua felicidade se esvaiu. Era sua mulher pedindo para que fosse imediatamente para o hospital, sua filha havia sofrido um acidente.

    Frank deixou o jornal correndo, desesperado. E quando viu a sua mulher e seu filho, percebeu que a situação era muito grave.

    - Nossa menina... Oh deus nossa menina! Ela está morta Frank! Está morta! - gritou Anne desconsolada.

    Entrou em choque, não sabia o que fazer, e quando soube por um dos homens do resgate que havia sido um acidente de moto, e que Paul Larusso também tinha falecido. Percebeu o mal que havia cometido.

    "Matei minha filha!" – pensou.

    Pegou um táxi e foi direto para sua casa, deixando a esposa e o filho ainda no hospital. Subiu até o escritório em prantos.

    - Seu desgraçado! Eu lhe disse que não era pra ser assim! Quero minha filha de volta, está ouvindo? Quero a Lisa de volta!!!

    Seus lamentos não eram sequer respondidos. Frank, desesperado, implorou, ofereceu mais sangue em troca da vida de sua filha, mas a voz já não sussurrava mais em seus ouvidos.

    No dia seguinte, após enterrar a filha, Frank sentia o peso da culpa, não conseguia entender tamanha desgraça em sua vida e voltou decidido a dar um fim no Realizarium. Fora ganancioso a ponto de entregar a própria filha nos braços da morte, agora era tempo de cessar com aquilo.

    Ao chegar, pegou o objeto, embrulhou nas folhas de um jornal que havia em sua mesa, e o colocou em um saco de lixo.

    - Amanhã cedo eu me livro de você! Como pude confiar em um demônio? – lamentou saindo do escritório.

    - O que disse, querido?

    - Nada, Anne, foi apenas um pensamento. – disse dando-lhe um forte abraço.

    Foi para seu quarto, tomou calmante para amenizar a dor que sentia... E deitou solitário.

    Naquela madrugada, Frank acordou sentindo um mal estar. Levantou, e foi até o banheiro... Seu peito doía, sentiu seu estomago embrulhar com uma forte vontade de vomitar. Mal debruçou no vaso, começou a expelir uma enorme quantidade de sangue. Desesperado, gritou por Anne...

    Sem resposta, levantou com dificuldade e foi cambaleando até o escritório, onde havia deixado seu remédio para hipertensão. Empurrou a porta, acendeu a luz, entrou quase que engatinhando, e ao abrir a gaveta em busca dos comprimidos... A surpresa! O Realizarium não estava mais lá. Não estava louco! Havia deixado a peça em cima da mesa...

    - Anne! Anne! – gritou novamente...

    Sua mulher acordou com os gritos, foi até o escritório e o encontrou caído, já sem força, com o pijama manchado pelo sangue. Desesperada, o acudiu, inclinando seu corpo ao seu encontro.

    - O que está acontecendo Frank?

    - Por que? Por que fez isso comigo, Anne... Onde está aquele... Demônio?

    - Que demônio querido? Frank?

    -Não minta... pra mim, você... desejou! Por que fez isso?

    - Fiz o que? Fala comigo! Frank? Vou chamar uma ambulância!

    - Não! Não me deixe sozinho...

    Ela ficou ao seu lado, segurando sua mão até seu ultimo respiro.

    Na escada, Josh assistia a tudo com o Realizarium em seus braços.

    “Josh, Josh, Josh... Está feito, assim como desejou. Não fique triste, foi o melhor a fazer, já que ele desejou a morte de sua irmã.”

    Vagarosamente, ele subiu com o objeto até seu quarto, colocou-o embaixo da cama. E se deitou, como se nada estivesse acontecendo. E antes que pudesse fechar os olhos...

    “Josh... Já percebeu que sua mãe nem se importa com você?”



    Fonte: http://www.contosdeterror.com.br
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    domingo, 7 de novembro de 2010

    O RELATO DO CAPITÃO EDUARDO DE CASTRO





    O RELATO DO CAPITÃO EDUARDO DE CASTRO

    Autor: Alessandro Reiffer


    As palavras a seguir constituem a transcrição fiel do relato do capitão da marinha brasileira Eduardo Minetti de Castro, escrito minutos antes de seu falecimento em terríveis circunstâncias na pequena cidade litorânea de R..., datado de 22 de julho de 2019. Tal relato é bastante sucinto e um tanto confuso, transmitindo a opressiva sensação de ter sido realizado às pressas, sob uma atmosfera de angústia e pesadelo, em desespero e loucura, em uma tensão nervosa que acusa uma tremenda ameaça de morte iminente. Tais foram as derradeiras palavras do capitão Castro:

    “Que os tempos que estamos vivendo são de horríveis e devastadores desastres ambientais, que as regiões naturais foram quase que completamente aniquiladas em todo o planeta, que estamos mergulhados em uma crise sócio-econômica infindável e de proporções catastróficas que assolam o mundo inteiro, que a miséria nunca foi tão gigantesca e irreversível, que a água potável é recurso raro no planeta, onde milhões de pessoas morrem pela falta da mesma, que uma nuvem negra de pestes e enfermidades desconhecidas exterminam populações inteiras em todos os cantos da Terra, que as perspectivas para o futuro da humanidade são as mais negras possíveis, enfim, que todas essas tragédias são hoje realidades incontestáveis, todo mundo sabe. Mas o horror inaudito que vi diante de meus olhos não pode ser real, não pode ser verdade isso que presenciei e cujos funestos resultados ainda estampam-se à minha frente. Não, não posso acreditar, meu Deus! que todas essas pessoas foram mortas por aquilo! E eu logo deverei morrer? Serei vítima daquelas coisas jamais vistas, que ninguém tem idéia do que possam ser, mas que eu, trancado em minha casa, tento desesperado decifrar e legar minhas deduções inadmissíveis aos outros humanos, para que possam enfrentar aquele horror quando ele voltar, porque ele retornará, e estou certo que trará a minha morte...

    “Custei a acreditar no que vi sair do mar naquele dia fatídico, naquele dia desgraçado onde uma impiedosa fatalidade fez com que eu estivesse no litoral desta amaldiçoada cidade, em mais um dia de trabalho que tinha tudo para ser normal. Meu Deus! mas que destino é esse que se abateu sobre esta humanidade?

    “Não, não, chega de lamentos e imprecações, não tenho tempo a perder. Devo relatar o que vi e tenho visto, pois meu nervosismo aumenta e mal consigo escrever. Aqueles monstros saíram das águas... Monstros! Monstros que se alimentam de seres humanos! Monstros hediondos e inacreditáveis que se alimentam de humanos! Quem vai acreditar em mim? Aquelas coisas são indestrutíveis, absolutamente indestrutíveis. Tentamos todas as alternativas, as mais potentes e modernas armas à disposição, mas tudo foi inútil. As monstruosidades vieram do oceano, não são formadas de alguma matéria conhecida, não sei do que são feitas, mas parecem radioativas... Sim, são seres nucleares, coisas que quanto mais as atacamos, mais se fortalecem e se enfurecem.

    “Sei que não há lógica no que digo e que muitos rirão de mim, mas estão todos mortos. Meu Deus! lá fora estão todos mortos, parcialmente comidos pelos monstros, despedaçados, dilacerados. Os corpos fedem nas ruas, tudo é morte, não há mais nada. Agora, aquelas coisas retornaram para as águas, mas eu sei que irão voltar, irão voltar e se alastrar pelo mundo, e eu serei a primeira vítima do seu ominoso retorno. Será que há gente viva em outras casas desta cidade? Deus! Deus! se tu existes, me diz o que é isso! Que horror!

    “Eu tenho minhas conjecturas, eu acho que sei o que está acontecendo, acho que sei o que são aqueles monstros, mas quem vai acreditar? Quem pode sequer imaginar que o homem chegou a esse ponto? Mas eu vi, lá estavam eles, enormes, gigantescos, pareciam ser uma mistura, algo híbrido entre humanóides e alguma espécie de peixe abissal, alguma coisa absurda que vive no fundo insondável do oceano. E eles saíram das águas e respiravam normalmente em nossa atmosfera. Tinham sede de carne e sangue, eram amarelados e disformes, irradiando uma espécie de luz esbranquiçada. Aquilo era radiação, eu sei, estou vendo ali os corpos queimados, casas chamuscadas... E o dia era tão bonito, tão ensolarado... Como pôde ocorrer tudo aquilo?

    “Irão dizer que tudo isso é impossível, que sou um louco, um alucinado, que estou tendo visões... Mas o que dirão quando virem os corpos e a destruição? E quem poderá afirmar que há algo impossível, se levarmos em conta o momento absurdo que atravessa nosso planeta?

    “Não, não escreverei mais, não consigo! Isso está me acabando! Eles retornaram para as águas negras do oceano, mas ressurgirão, e virão me pegar, e depois se espalharão pelo planeta. É por isso que eu... sim, tomei a decisão, vou me suicidar. Claro! por isso deixo este relato... Ainda tenho uma pistola naquela gaveta... Ela não serve para os monstros, aqueles diabos mal-cheirosos, repugnantes, fosforescentes, que deixam aquela gosma esverdeada por onde passam... E aqueles urros ensurdecedores? Não, eles não podem ser mortos, a pistola não servirá pra eles, mas servirá pra mim...

    “Mas antes vou dizer o que acho, as minhas deduções... Os monstros de enormes olhos incendiados vieram do oceano, das profundezas daquelas águas contaminadas... Eu sei, eu sei, eu deverei falar... De que adianta manter segredo agora? Eles, os países ricos, se é que ainda se pode classificar de ricas aquelas nações decadentes, continuam colocando toneladas e toneladas de lixo nuclear no fundo dos mares... E fazem pior: estão testando escabrosas bombas atômicas lá nos abismos oceânicos... Horríveis explosões perversas... Estão acabando com toda a vida marinha, que horror! Não, mas a vida também está reagindo, transformando-se em coisas inaceitáveis... mutações genéticas! É isso. Seres monstruosos nutridos pela energia nuclear, modificados, fortalecidos, filhos bestiais do poder corrompido do átomo! Ninguém os deterá. Mexeram com o que não sabiam, brincaram com as energias do cosmos, desprezaram a vida, agora pagarão um alto preço. Os monstros têm fome de morte! Todos sairão do mares, eu sei, virão me pegar, virão me pegar! Ai meu Deus, não posso permitir... Não, não! A pistola... basta! A pistola... vou pegá-la...”

    Até aqui o relato de Eduardo Minetti de Castro, capitão da marinha brasileira, encontrado morto em sua residência com um tiro na boca, na cidade de R... Cidade totalmente arrasada por motivos desconhecidos, com todos seus habitantes mortos, despedaçados, queimados, esmagados. A cidade cheirava mal; rastros repulsivos de uma substância esverdeada foram encontrados e analisados. A substância era radioativa. A cidade toda está contaminada com altos índices de radiação. E pegadas gigantescas foram verificadas nas praias da região. Pegadas que saíam do mar e que voltavam para ele...


    Fonte: http://www.contosdeterror.com.br/lista_contos6.html
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    terça-feira, 2 de março de 2010

    O CASTELO DO GRAAL






    DESCONHEÇO O AUTOR
    MITOS DA INGLATERRA
    MITOLOGIA E FOLCLORE


    Um dia,  numa de suas jornadas,  Percivel precisou deter-se ( nota:  Percival é um dos cavaleiros da Távola Redonda ):   tinha a sua frente um rio tão largo que não sabia como atravessá-lo.  Preparava-se para dar meia-volta quando viu uma barca que levava dois pescadores.   Gentis,  eles convidaram Percival a subir e conduziram-no até um castelo escondido nas profundezas da floresta.  Um dos pescadores lhe disse:

     - Sou o rei deste castelo,  que se chama Corbenic.  Fui ferido e não posso mais montar a cavalo,   por isso me distraio pescando.

     Ao desembracarem,  o rei-pescador ofereceu um suntuoso banquete a Percival.  A cada prato servido,  uma estranha procissão atravessava a sala.   Primeiro surgiu um pagem  com uma lança reluzente cuja a ponta sangrava;   em seguida,  apareceram dois rapazes que portavam candelabros de ouro puro.   Logo depois,  enquanto uma súbita luz clareava a sala,   entrou uma donzela,  carregando uma taça de ouro cravejada de pedras preciosas.   Outra donzela fechava o cortejo,   levando uma bandeja de prata.   Sem dizer uma palavra,  passaram para outra sala.

    Percival ficou intrigado,   mas nada perguntou,   porque a mãe recomendara-lhe discrição em qualquer circunstância.   No dia seguinte,   ao levantar-se,   encontrou o castelo deserto,  mas suas armas e seu cavalo estavam prontos para a partida.   Compreendeu que devia deixar aquele lugar misterioso.

    De volta ao reino de Arthur,   Percival não pensava mais no castelo de Corbenic,  contente por juntar-se novamente aos cavaleiros da Távalo Redonda.   No terceiro dia dos festejos dados em sua honra,   uma donzela pediu para ser recebida pelo rei e seus companheiros.   Era feia e tinha a pele amarela como a mula em que vinha montada.    Diante de todos,  censurou Percival com veemência por não ter feito nenhuma pergunta ao rei-pescador sobre a misteriosa procissão:   sem o saber,  ele vira o Graal,   e seu silêncio poderia provocar uma grande infelicidade.

    Percival jurou que encontraria o castelo de Cobernic e o Graal.    Seguindo seu exemplo,   cinquenta cavaleiros levantaram-se e fizeram o mesmo juramento.   Começava a Busca do Santo Graal.

    Durante muitos anos,  Percival vagou pelo reino de Logres.   Combateu inúmeros cavaleiros e realizou muitas proezas,  mas não encontrava os limites de Cobernic.   Um dia,   libertou dois cavaleiros que,  por obra de Keu,   estavam pendurados pelos pés nos galhos de uma árvore.   Intrigado,  Percival seguiu seu caminho e,  mas adiante,   cruzou com vários cavaleiros enlouquecidos que desciam da colina.   Entre eles,   reconheceu muitos de seus companheiros da Távola Redonda.

     Em seguida,   aproximou-se uma moça,  cavalgando a galope,   que gritou:

     - Cuidado,   senhor ! Se subir,    perderá a razão ou a vida!

    Percival,   no entanto,   subiu a colina.   Lá no alto,  viu uma gigantesca coluna de pedra,   cercada por outras pedras menores e bem alinhadas.   Desmontou e amarrou o cavalo na coluna principal,   onde também apoiou o escudo e o elmo.   Logo surgiu uma donzela e anunciou-o amavelmente que ele acabara de amarrar o cavalo na coluna mágica construída por Merlin:  apenas o cavaleiro perfeito poderia tocá-la sem enlouquecer.    Antes de desaparecer,   a donzela indicou a Percival o caminho para o castelo de Cobernic.

     Reconhecido pelos habitantes do castelo,   Percival foi acolhido com grande alegria.   Como da primeira vez,   assistiu à procissão do Graal,  mas agora não deixou de perguntar ao anfitrião o siginificado de tudo aquilo.

     - Você saberá. - respondeu o dono do castelo - se for capaz de unir os dois pedaços dessa espada.

     Tendo passado na prova,   Percival finalmente descobriu o segredo:  o rei-pescador era o guardião da lança com a qual o cavaleiro romano Longino trepassara o flando de Cristo,  para certificar-se de sua morte.    Guardava também a preciosa taça em que aquele cavaleiro recolhera seu sangue.   Mas,   depois de ferido,   o rei não podia mais cumprir sua missão com o mesmo vigor,  o que deixava o reino de Logres a mercê de encantamentos.   Para curar o rei de Cobernic,  Percival precisava enfrentar Perinax,   que assassinara o irmão daquele rei-pescador.

     Percival desafiou o cavaleiro cruel em seus domínios,   no castelo da Torre Vermelha,   onde quatrocentos cavaleiros já haviam sido mortos.  Dessa vez,  porém,    Pertinax foi vencido e,   no momento em que Percival cortava-lhe a cabeça,   o rei-pescador sarou.

     Ao voltar a Cobernic,    Percival descobriu que era sobrinho do rei guardião do Graal e que deveria sucedê-lo.

    Em Carlion,   contou suas aventuras ao Rei Artur - sem,   entretanto,   revelar o segredo do Graal.   No momento de tomar seu lugar na Távola Redonda,   pediu para sentar-se na Cadeira Perigosa,   o que entristeceu profundamente o Rei Artur :  ele já perdera seis ousados cavaleiros engolidos pela terra.

    Em silêncio,   afastando todos que tencionavam impedi-lo,    Percival dirigiu-se para a Cadeira Perigosa.   Assim que se sentou,   a terra abriu-se e revelou um abismo,   do qual surgiram,  sãos e salvos,   os seis cavaleiros desaparecidos.    Em seguida,  a terra voltou a fechar-se,   sem que Percival sofresse o menor arranhão.   Cumprira-se a profecia de Merlim.

    Percival casou-se com sua amada Brancaflor e,  mais tarde,   sucedeu o rei-pescador.   Mas nunca deixou de sentir saudades de sua vida e de aventuras.
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    domingo, 28 de fevereiro de 2010

    SOMBRA ... UMA PARÁBOLA



    Autor: Edgar Allan Pöe (tradução de J. Jaeger)


    “E, ainda que eu caminhe através dos vales da Sombra...”


    Salmo de Davi


    Vós, que me ledes, estais vivo; mas eu, que escrevo, há muito declinei em meu caminho para as regiões das sombras. Porque estranhas coisas ocorrerão e coisas secretas serão reveladas; e muitos séculos terão decorrido até que os homens leiam estas memórias. E, quando as virem, alguns não lhe darão crédito e outros irão duvidar; contudo, uns poucos encontrarão razões para meditar sobre os carcteres aqui gravados com férreo estilete.

    O ano tinha sido de terror e de sensações muito mais intensas que o terror, para o qual não existe nome sobre a terra. Pois se sucederam muitos prodígios e muitos sinais e. em toda parte, sobre o mar e sobre a terra, estendiam-se as asas da Peste. Para eles outros, doutos na leitura das estrelas, não era estranho que os céus revelassem uma fisionomia de desgraças; mas, para mim, o grego Óinos, e para os meus companheiros, era evidente que havia chegado a alternação daquele ciclo de setecentos e noventa e quatro anos, em que, à entrada de Áries, o planeta Júpiter entra em conjunção com o anel vermelho do terrível Saturno. O espírito característico dos céus, se muito não me engano, era visível não apenas na órbita física da Terra, mas, igualmente, nas almas, na imaginação e excogitações da humanidade.

    Sentados em volta de algumas garrafas de vinho tinto de Quios, na sombria cidade de Ptolomais, formávamos nós, à noite, um grupo de sete pessoas. Não havia, em nossa sala, outra entrada que não uma enorme porta de bronze, que havia sido fundida pelo artista Corino; era de rara compleição e estava trancada por dentro. No sombrio aposento, negras cortinas alijavam-nos da visão da lua, das fúnebres estrelas e das ruas desertas. Mas o presságio e a lembrança do mal não podiam ser excluídos. Em torno de nós e dentro de nós coisas havia que não podem ser descritas – coisas materiais e espirituais: uma atmosfera pesada, uma sensação de sufocamento, de ansiedade e, sobretudo, esse terrível estado de existência em que os nervos experimentam quando os sentidos estão vivos e despertos, enquanto as faculdades da mente estão inativas.

    Um peso mortal nos afligia. Caía sobre os nossos corpos, sobre os móveis e sobre os copos. E tudo era depressivo e tenebroso, salvo as chamas de sete lâmpadas de ferro que alumiavam nossa orgia. Alçando-se em altos e delgados espectros de luz, permaneciam ardendo, pálidas e imóveis. E no espelho que o seu reluzir formava sobre a mesa redonda de ébano, em torno da qual nos reuníamos, cada um contemplava a palidez de seu próprio semblante e reparava no inquieto brilho dos olhares de seus companheiros. Entretanto, ríamos. E estávamos alegres a nosso próprio modo histérico. E cantávamos as canções de Anacreonte, que eram ensandecidas, e bebíamos muito, ainda que o vinho púrpura nos lembrasse a cor do sangue. Porque havia outra companheiro ali na sala: o jovem Zoilus. Jazia morto, estendido e amortalhado, como se fora o gênio e o demônio da cena. Mas... Ah! Ele não participava de nossa alegria, salvo o seu rosto, convulsionado pela Peste, e seus olhos, em que a morte apenas havia apagado a metade do fogo da peste, pareciam ter um certo interesse no nosso júbilo, os mesmo júbilo que quiçá sintam os mortos por aqueles que irão morrer. Mas ainda que eu, Óinos, sentisse que os olhos do defunto estavam fixos em mim, obrigava-me a não perceber a amargura de sua expressão e, enquanto contemplava fixamente as profundezas do espelho de ébano, em voz alta e sonora cantava as canções dos filhos de Téos. Mas, pouco a pouco, minhas canções foram cessando e seus ecos, perdendo-se nas sombrias cortinas da sala, minguaram até se tornarem inaudíveis, e desvaneceram-se completamente. Mas eis que dentre aquelas cortinas, onde os ecos do canto morriam, penetrou uma sombra obscura e indefinida. Uma sombra como a da lua quando se inclina no céu e assume a fisionomia de um homem; mas aquela não era a sombra de um homem, nem de Deus, nem de deus da Grécia ou da Caldéia, ou mesmo do Egito. E a sombra postava-se sobre a entrada de bronze, por baixo do arco da porta, sem um movimento, sem dizer palavras, e ali, imóvel, deixou-se ficar. Se bem me recordo, os pés de Zoilo, amortalhado, voltavam-se para a porta na qual a sombra descansava. Mas nós, os sete ali reunidos, tendo visto a sombra, no momento em que ela avançava sobre os cortinados, não nos arrojávamos a contemplá-la fixamente, senão baixamos os olhos e miramos as profundezas do espelho de ébano.

    Finalmente eu, Óinos, balbuciando em voz baixa, perguntei à sobra qual a sua morada e seu nome. E a sombra respondeu:

    “ Eu sou a SOMBRA e a minha morada jaz nas proximidades das Catacumbas de Ptolomais, junto às lúgubres planícies de Helusão, que margeiam o imundo canal de Caronte.”

    Então, os sete nos levantamos de nossas cadeiras, tomados de horror, trêmulos, pálidos, porque o tom de voz da sombra não era de um único ser, mas de uma multidão de seres e, variando em suas cadências, de uma sílaba para outra, penetrava obscuramente em nossos ouvidos, com inflexões familiares, e bem recordadas, dos muitos milhares de amigos, que já morreram.
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    sábado, 5 de dezembro de 2009

    LEMBRANÇAS DA FERA


    >>> Por Flávio de Souza


    Algumas coisas ficam para sempre guardadas em nossa memória. Lembranças boas; como uma música, um evento, um encontro, etapas que por mais que o tempo passe, são praticamente impossíveis de serem apagadas. Evidentemente, não só de flores é feita a vida, e por isso mesmo, em alguns momentos, nos flagramos assombrados por alguns fantasmas que insistem em nos visitar de forma recorrente. Por mais que tentemos exorcizá-los, e às vezes nos pegamos iludidos por um falso sucesso, na calada da noite, quando a proteção do astro rei não nos faz mais companhia, quando cerramos as pálpebras em busca de descanso, somos surpreendidos pela presença indesejada que revira nossos pensamentos como um turbilhão, arrancando um suor gelado dos poros, produzindo um tremor dos pés à cabeça.

    Dizem que para que um medo seja vencido é necessário que seja enfrentado, não sei se isso está correto, mas confesso que me peguei por diversas vezes questionando sobre tal afirmação. É muito difícil, é importante que se diga, a simples hipótese de tornar palpável, através de um enfrentamento, algo que é capaz de proporcionar tamanho incômodo. Entretanto, é igualmente difícil passar ano após ano sofrendo com um pesadelo que lhe rouba a paz e o sono.

    Talvez por conta disso eu esteja aqui, atravessando a baía nessa barca, algo que não faço há mais de trinta anos, e que jurei para mim mesmo jamais voltar a fazer. Trago como alento a certeza de que a quebra de uma promessa efetuada sob tais condições só pode vir a me prejudicar, e a mais ninguém.

    O sol reflete um brilho cativante sob o espelho d’água, a brisa marinha sopra suavemente, ao mesmo tempo em que me proporciona uma sensação agradável, trás também aquela velha melancolia que me aperta o coração. Fecho os olhos, é inevitável a lembrança daquele dia, o último daquelas férias. Como um período de quinze incomparáveis dias pôde ter sido reduzido a um único e maldito episódio? Se eu tivesse ido embora um dia antes, tudo teria sido tão diferente para mim...

    Naquela época, com apenas doze anos, obviamente eu tinha uma visão de mundo completamente diferente. E por conta disso, era muito complicado entender e assimilar algumas recomendações e ordens, tudo se misturava; a realidade e a ficção, o que era sério e o que era entretenimento contado ao redor de uma fogueira nas areias da praia. A ilha, para a qual me dirijo nesse momento, é um reduto de tranqüilidade incrustada no meio da baía, e conserva até os dias de hoje aquele ar de cidade do interior, embora localize-se em plena metrópole.

    A casa dos meus parentes era uma das maiores do local, e curiosamente ostentava em sua parte posterior uma grande área verde, com um vasto gramado e muitas árvores frutíferas, que se mesclava com o terreno do antigo cemitério local, hoje desativado, mas que ainda exibe algumas marcas nas dependências da residência.

    O estranho é que um cenário tão peculiar como esse poderia servir para intimidar ou amedrontar um bando de pirralhos como o que era formado por meus primos e eu. No entanto, as histórias que nos eram contadas só funcionavam como um estímulo à nossa curiosidade infantil, e é justamente nessas horas que ocorre a já citada falta de limites.

    Nossa tia-avó fazia inúmeros relatos de coisas estranhas e situações absurdas que aconteciam na ilha, e jurava que todas eram verdadeiras, que fora testemunha ocular em muitas. A que mais mexia com o nosso imaginário era, sem dúvidas, a da velha que cozinhava partes humanas em panelas de barro. Segundo o relato, a velha se escondia além dos domínios do cemitério, próximo da mata de flamboyants, quem ousasse pisar nos arredores de seu casebre, teria assinado a própria sentença de morte. Já na última semana das férias, arquitetávamos um plano para investigar o casebre da velha amaldiçoada a fim de checar a veracidade dos fatos, era uma prova de valentia, ou algo do tipo, foi aí que todo o problema teve início.

    Minha tia-avó estava muito inquieta naquela noite, aliás todos na casa estavam, com exceção das crianças. Nossa intenção era a de escapar no meio da noite, para dar um clima sombrio à nossa empreitada. Mas havia algo de diferente no ar, algo que até então não havíamos experimentado, e que eu só viria a entender bem depois.

    Todas as portas e janelas estavam trancadas, percebemos que havia um rastro de sal em cada possível saída da casa. Questionávamos os adultos à respeito de tão estranha providência, mas ninguém demonstrava o menor interesse em querer explicar nada. Foi montado um verdadeiro acampamento na ampla sala de estar, vários colchonetes foram dispostos no chão, sugerindo que todos passariam a noite ali, juntos.

    Tudo ficava muito mais estranho, a noite estava excessivamente quente, uma grande lua amarela iluminava fartamente o quintal, então, por que diabos todos davam a entender que um confinamento se fazia necessário? Por que a tia-avó e as primas adultas rezavam de maneira tão fervorosa?

    Estávamos todos dormindo, não sabia exatamente que horas tudo havia começado, mas o silêncio da madrugada fora subitamente quebrando por um estardalhaço que parecia vir do telhado da casa. Era como se um exército marchasse sobre as telhas. Todos estavam posicionados numa espécie de círculo, abraçados, alguns dos meus primos choravam e gritavam a cada novo ruído. A matriarca da casa mantinha-se em pé, de frente para a porta principal da casa, olhava fixamente para a folha de madeira enquanto segurava um terço e mexia os lábios sem emitir nenhum som.

    Eu não estava com medo, juro que não estava, naquela época me achava muito corajoso, ou estúpido, dependendo da situação. Levantei-me sob o olhar repreensivo de uma das minhas primas mais velhas, pouco liguei para o sinal de desaprovação e segui em direção à minha tia, que não se virou para me encarar. Continuei até a porta, fui impedido por um grito e uma mão enrugada no ombro. Ela me disse para não continuar com o que eu pretendia, então parei, mas, ainda assim, uma força maior me fez olhar pela fresta da porta, e o que vi me fez esquecer de todos os contos que havia ouvido, aquilo era diferente, terrivelmente diferente.

    Não ouso reproduzir em palavras os contornos da figura que vi, basta dizer que seus olhos eram perturbadores, exalavam uma maldade que não poderia existir em um ser originário desse plano. Eram rubros, queimavam como o fogo, e se esgueiravam pela penumbra das árvores, o céu já não estava tão claro, naquela altura o quintal estava envolto em trevas. Eu ouvia a respiração do bicho, podia sentir o cheiro nauseante que era expelido do seu corpo, ele rondava na frente da casa, eu sentia que ele era capaz de nos perceber, mesmo sob a proteção das paredes da casa.

    Dei um passo para trás quando tive a impressão de que nossos olhares se cruzaram. Ameacei dizer algo, mas o dedo da minha tia selou meus lábios, entendi que deveria permanecer em silêncio. Quase sussurrando ela me disse: “Essa é a primeira noite do ciclo, a pior de todas, devemos guardar as palavras, a fera tem fome, e vai se fartar essa noite. A lua comanda seu passos e a insanidade domina sua mente”. Ela fez o sinal da cruz e me indicou, com o dedo esticado, o lugar onde deveria permanecer. Confesso que nunca havia visto a tia-avó com aquela expressão, e de fato, nunca mais voltaria a contemplá-la.

    Na manhã seguinte, quando o sol voltou a tocar nossas vidas, corri para o quintal no intuito de buscar algum indício da criatura que nos visitara e atormentara durante toda a madrugada. Não precisei procurar muito, logo no assoalho da varanda pude perceber a marca da fera. Profundos sulcos riscavam o verniz deixando exposta a parte crua da madeira. Coloquei-me de joelhos e examinei o piso com mais cuidado, notei que existiam muitos outros riscos, antigos, recobertos por uma nova camada do mesmo verniz.

    Minha tia, de posse de uma mangueira de jardim, despejava jatos d’água no gramado. Levantei-me e corri ao redor da residência. Notei que marcas de barro manchavam as paredes externas, jarros de plantas haviam sido quebrados, arbustos jaziam no chão com as raízes expostas, mas o que mais me chamou a atenção foi o rastro escarlate que seguia na direção do pequeno criadouro localizado atrás da casa.

    Quando lá cheguei fui surpreendido por uma cena absurda, parecia que a área compreendida entre a casa e o cemitério havia sido lavada com sangue. Percebi partes destroçadas de animais por todo o local, dentre o mar vermelho pude reconhecer porcos, galinhas, cabritos, até mesmo o viveiro de pássaros havia sido destruído. A voz de minha tia entrou em meus ouvidos trazendo-me novamente à realidade, antes que eu pudesse questioná-la sobre o que estava acontecendo, ela simplesmente se antecipou e disse que ninguém falava sobre isso, dando a entender que não haveria espaço para perguntas.

    Antes de ser arrastado por ela, estiquei a visão ao longe, para além das cruzes fincadas no barro triste, uma fumaça acinzentada escapava do pequeno casebre, parecia que a velha moradora estava ocupada com seus afazeres. Imediatamente a figura da fera noturna me veio à mente.

    O que mais me chamava a atenção para o que acontecia era o fato de que nenhum dos adultos havia contado nenhuma história, nenhum fato ocorrido, nada mesmo sobre aquela criatura. Era algo muito estranho, todos eles permaneceram calados durante todo o dia, as crianças estavam apavoradas, eu era uma exceção, assim como o pequeno Ricardo, um garoto local, filho dos ajudantes da casa, ele era uns três anos mais novo do que eu, e passara todo o período das férias conosco. Ele era bastante esperto e nos mostrara inúmeras coisas na ilha, proporcionara situações divertidas e ensinara traquinagens que nem imaginávamos.

    Naquela noite, o mesmo cenário estava armado na sala, Ricardo fez sinal para mim, o acompanhei até a cozinha. Ele me disse que aquela criatura aterrorizava a ilha todo mês, a primeira noite do ciclo era a pior, ninguém ousava por os pés nas ruas após o cair da noite. Mas, mesmo com toda a cautela dos locais, a fera sempre dava um jeito de encontrar um imprudente solto pelas esquinas, e ela não perdoava, devorava até os ossos, não deixava vestígios. Ele disse, ainda, que após o ciclo sempre ocorria uma troca de acusações sobre o responsável pelas atrocidades, existiam muitos suspeitos, mas para ele, a fera morava no casebre do cemitério.

    De acordo com suas palavras, ninguém ousava encarar a criatura, não existia viva uma só pessoa que teria feito isso, mas eu fiz, olhei direto nos seus olhos, até então o medo não me consumia, mas depois que ouvi isso, senti um calafrio tomar conta do meu corpo. O garoto não demonstrava receio, ele nunca havia ficado tão próximo da fera quanto na noite anterior, mas ainda assim esboçava aquele misto de coragem e estupidez que eu havia comentado. Senti que ele tramava algo, e ao notar a lanterna em sua mão, tive certeza.

    Ricardo me disse que constataria que a velha do cemitério era a fera, ele se esconderia próximo do casebre e presenciaria a transformação, retornado antes que pudesse ser interceptado por ela. Eu tentei fazê-lo desistir de tal intenção, confesso que também estava envolvido pela curiosidade e fervor do momento, mas não a ponto de cometer tamanha insanidade, não depois de ter visto aquele brilho assassino nos olhos da criatura.

    Não consegui retirar a idéia de sua cabeça, o garoto atravessou a porta dos fundos e desapareceu por entre as árvores que enfeitavam o caminho até o cemitério. Voltei para a sala onde o círculo estava formado, a tia-avó posicionava-se da mesma maneira, defronte a porta principal. O tempo passou e diferentemente do choro e da lamentação do grupo, Ricardo não havia retornado. Lá fora um som peculiar e perturbador era ouvido, a fera montava guarda em nosso quintal.

    Meu pensamento estava fixado no paradeiro do garoto, eu não havia falado nada com ninguém sobre a tolice que cometera, todos deveriam ter imaginado que ele retornara para a segurança do próprio lar e companhia dos pais, embora ninguém tivesse comentado nada a respeito. Nesse momento, acho que cometi a maior besteira de minha vida, levantei e fui até a cozinha, sob a reprovação das mais velhas. Olhei pela fresta da porta dos fundos, um ponto luminoso se fazia presente no meio da escuridão, vinha do casebre da velha. Imaginei que a fera estaria concentrada na frente da casa, uma vez que não havia mais nenhum animal que ela pudesse devorar ali atrás, então, tomado pelo impulso, atravessei a proteção de sal e corri na direção do cemitério tendo em mente o resgate do colega. Levei um isqueiro que encontrei na cozinha, pois não havia mais nada que pudesse me ajudar a quebrar as trevas nas quais mergulhava naquele momento.

    Procurei-o por alguns minutos, chamei seu nome, mas não de uma maneira escandalosa, eu não queria chamar a atenção errada. Ouvi um sinal de resposta, demorou um tempo para que eu percebesse que a voz do garoto vinha do alto, de cima de uma árvore. O garoto, esperto como era, buscara refúgio ali, pois alguma coisa no seu plano não deveria ter dado certo. Rapidamente ele desceu e me disse que a fera já rondava o local quando ele chegou, e só havia dado tempo de se esconder, se valendo do artifício de utilizar pó de café espalhado pelo corpo para confundir o olfato apurado da criatura.

    Então, algo me deixou aterrorizado, ele me perguntou se eu havia feito o mesmo, o que era óbvio que não. Ouvimos estalos de galhos quebrando, desviamos o olhar para a mesma direção, um par de brasas rubras nos observava, gritamos e corremos às cegas. A lanterna e o isqueiro ficaram pelo caminho na tentativa de fuga, Ricardo disparava na minha frente, sentia que seríamos alcançados em instantes, foi quando aconteceu. Caí numa espécie de buraco, era muito profundo, porém estreito, mal comportava meu corpo. Olhei para o alto e percebi uma sombra nublar por alguns instantes a presença da lua cheia, em seguida ouvi gritos medonhos, sofridos. Imaginei que meu amigo estava sendo destroçado, era possível perceber sua dor através do desespero contido naquela manifestação. O maldito demônio deveria ter seguido meu cheiro quando saí de casa, e agora, por conta disso, havia alcançado o garoto que tentei ajudar. Seguindo essa linha de raciocínio, logo ele me descobriria naquele buraco, que os céus me ajudassem.

    Quando desejei isso, a ajuda dos céus, lembrei que a lua se exibe justamente ali, e ela, a lua, só dava auxílio a uma criatura, a mesma que se esgueirava na entrada do buraco. Olhei novamente para cima e vi aquele brilho maldito a me espreitar, sua respiração era pesada e ruidosa, causaria pânico até no mais valente, quem diria numa criança encurralada no meio da mata. A fera tentava me alcançar com uma das patas, mas eu estava longe demais para isso. De sua boca escorria uma farta gosma que caía sobre mim, era perturbador imaginar a carne de alguém sendo maculada por aquilo.

    O bicho mostrava-se inquieto, saía e voltava, tentava encontrar uma solução que pudesse resolver a situação a seu favor. Ele urrava e rosnava, então, começou a revirar a terra fazendo uso das poderosas patas, era o que eu temia. Eu rezava, e de repente, ouvi meu nome, era uma voz familiar que me chamava, a fera também ouviu e abandonou o que estava fazendo. Alguns instantes se passaram até que novos gritos ecoaram, mais morte e dor, mas algo diferente aconteceu, ouvi também alguns disparos. O silêncio reinou. Esperei por algo novo, mas nada aconteceu, e depois de algum tempo, mesmo numa posição desconfortável, a quietude levou-me a uma sonolência quase hipnótica, então, acho que adormeci.

    Um impacto na minha cabeça me fez despertar, olhei para o alto e percebi que a luminosidade de um novo dia começava a surgir, uma corda se oferecia para mim. Agarrei-a e fiz muita força para escapar daquela armadilha do solo. Quando finalmente consegui sair, percebi que a corda estava amarrada a uma árvore e vi uma senhora de idade avançada caminhar em minha direção. Não precisei pensar muito para entender quem seria ela, tentei correr mas tropecei e caí com as costas no chão. A velha agarrou-me pelos braços e me puxou, nesse instante uma turba surgia, as pessoas bradavam e apontavam para a mulher que me segurava, só aí percebi as manchas de sangue pelo chão, um terço de prata, e os restos do que um dia foi minha tia-avó, o demônio não conseguira devorá-la por completo, veio à minha mente a lembrança dos tiros.

    A velha tentou escapar, mas foi alcançada pelos populares que julgaram-na ali mesmo, espancando-a até a morte. Uma das minhas primas estava no local, somente ela da minha família, mas não se juntava aos enfurecidos, estava ali só para me abraçar e tirar daquele inferno. Eu olhava para trás conforme andava, e visualizei no chão, ao lado da árvore onde estava amarrada a corda, um tipo de espingarda.

    Na casa, o grupo continuava na sala, todos sem exceção choravam de maneira sofrida, notei um rastro de sangue no piso enquanto atravessava os corredores, desvencilhei-me da prima e segui as marcas até um dos quartos, então vi a coisa mais espantosa que alguém poderia imaginar. Deitado na cama estava o tio-avô, o irmão mais novo dos sete filhos de minha bisavó, o único agora vivo, já que a matriarca da casa, ou o que havia sobrado dela, estava agora em pedaços largados no solo barrento das cercanias do cemitério. Ele morava sozinho numa casa do outro lado da ilha, mas agora estava ali, dormindo de maneira pesada e envolto por um estranho fenômeno. Várias partículas de chumbo brotavam de sua pele, os ferimentos cicatrizavam instantaneamente conforme o metal era expelido, manchas de sangue ressequido se espalhavam por todo seu corpo, era uma visão infernal, algo que marcaria toda a minha vida.

    Recuei lentamente e esbarrei na mesa de cabeceira derrubando um abajur, o barulho fez com que o velho despertasse e me encarasse. O que vi naqueles olhos foi exatamente o que percebi na fera, um ar sombrio e perverso, era estranho, porque até então nunca havia notado isso no semblante do meu tio. Sem levantar da cama, ele esticou a mão em minha direção e disse algo que nunca esqueci, ele me disse que a fera havia ficado atraída pela minha carne, e que não descansaria enquanto não a provasse. Saí do quarto deixando-o gargalhando sozinho. Corri até a sala, minha prima, a mesma que me buscara no cemitério, posicionou o dedo indicador sobre os lábios num claro gesto de silêncio. Meus pais vieram me buscar, e então partimos de volta para casa, para nossa casa, meu estado emocional estava tão abalado que eles não puderam esperar nem pelo enterro da tia-avó. Naquele momento, enquanto atravessávamos a baía de volta à cidade, eu jurei que nunca mais retornaria, mas, agora estou aqui, prestes a atracar no cais da ilha.

    Quando soube da morte do tio-avô tive a certeza de que só conseguiria dormir em paz se visse com meus próprio olhos a sepultura que enclausurava aquele demônio. Foram longos trinta anos, pelas minhas contas morrera com cento e três, ele era o caçula, mas já ostentava setenta e três naquela ocasião.

    Assim que cheguei fui direto para o cemitério, não para o novo, mas para o antigo mesmo, aquele que tanto atormentava meu sono. Tantas lembranças me assaltavam enquanto caminhava por aquele terreno, flores de diversos tipos cresciam agora por ali. Não havia mais o casebre da velha que fora linchada pela ira do povo, mas ainda conseguia enxergar seus contornos se eu fechasse os olhos. Encontrei a lápide da tia-avó, não pude conter as lágrimas que correram livres pela superfície do meu rosto cansado. Lembrei de todos os momentos bons que passamos, das histórias ao redor da fogueira, dos passeios, dos bolos que ela fazia no final das tardes.

    Logo ao lado visualizei o motivo do meu retorno ao passado. Ali, diante de mim, estava o bloco de mármore com as inscrições que tanto desejei ler. Respirei aliviado, de uma forma que não lembrava mais como era, um peso incalculável deixou minhas costas. Desci pelo caminho arborizado em direção à casa, me sentia livre, avistei ao longe algumas crianças correndo pela parte de trás do quintal, distingui, também, uma prima que não via desde a infância, sua expressão era tão viva em minha mente.

    Muitas histórias e lembranças foram remexidas durante toda à tarde, mas nada que mencionasse o fatídico episódio. Eu estava tão leve que mal percebi o tempo passar, a tarde já caía e a noite se aproximava, uma tempestade se armava no céu cinzento. Pediram que eu ficasse para passar a noite, sob a alegação de que não seria prudente pegar a barca sob condições adversas. Aceitei, mas não por esse motivo, eu precisava fazer a prova definitiva de que os fantasmas haviam sido exorcizados, eu sentia a antiga confiança de volta, aquela coragem que eu nem lembrava mais que um dia já havia possuído.

    Fiquei observando a chuva pela janela do quarto durante a madrugada. Um relâmpago acendeu o céu e pensei ter visto uma imagem que me causou um calafrio. Recuei alguns passos e esbarrei em alguém, era um primo, o mesmo que havia me ligado passando a informação do falecimento do maldito, ele não estava na casa quando cheguei.

    Ele exibia uma expressão maligna, e antes que eu pudesse esboçar qualquer reação, percebi seus braços se entrelaçarem no meu pescoço. O sujeito, embora velho, era bastante forte, eu estava preso de tal maneira que não conseguia me desvencilhar, ele me arrastava pelos corredores da casa. Eu não conseguia falar, quanto mais pedir ajuda, estava quase sufocando. Ele falava que a sepultura estava vazia, por enquanto, que não fora difícil conseguir armar tal chamariz, afinal de contas o seu pai seria enterrado ali mesmo, em breve, mas ele não poderia partir sem antes experimentar a carne que tanto desejara, após isso, poderia, enfim, morrer em paz e transmitir-lhe o legado maldito que há muito ansiava.

    A porta dos fundos foi aberta com ímpeto, fui jogado no chão enlameado e com os açoites da chuva a me castigar. Olhei para o meu agressor que exibia um largo sorriso enquanto fechava a folha de madeira protegida pelo rastro de sal. Minhas lágrimas se mesclavam às águas dos céus, eu sabia o que aconteceria a seguir. Percebi uma presença às minhas costas, o que foi confirmado por um rosnar abafado, naquele momento, nada mais pude fazer. As lembranças da fera estavam de volta!!!

    >>> Escrito por Flávio de Souza



    Fonte:
    http://www.contosfantasticos.com.br/
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    O Grimoire dos Vampiros...



    contos vampirescos


    Prefácio M.D. Amado


    Organização: Georgette Silen


    A organizadora Georgette Silen está selecionando os contos que irão entrar no livro 
    O GRIMOIRE DOS VAMPIROS.

    para saber mais entre no blog 
    http://ogrimoiredosvampiros.blogspot.com/


    participe!
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    domingo, 29 de novembro de 2009

    Livro - Vinganças de Sangue


    Nathalia é uma garota que tem como motivação a busca por justiça contra o assassinato de sua irmã Amanda. Após mais de quatro anos de procura, surge uma pista. Mesmo sabendo que a polícia nada faria, Nathalia decide ela mesma procurar por vingança. Mas o que fazer quando descobre que o assassino na verdade é um vampiro?


    ISBN: 978-85-7810-481-8
    Número de páginas: 288
    Editora: CBJE
    (Câmara Braslieira de Jovens Escritores)
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    sábado, 28 de novembro de 2009

    Acampamento Mal-Assombrado


    Sou um menino que freqüenta um grupo de Jovens de uma igreja de Petrópolis-RJ, Certo dia fomos a três sítios, Nosso grupo foi divido em 3 e cada um foi para um sitio, meu grupo ficou em um sitio onde teríamos que dormir no mato sem adultos por perto.

    Um menino que morava lá começou a contar uma lenda que há três anos atrás um grupo de assaltantes havia invadido o sitio e feito uma chacina matando cerca de oito pessoas (Tinha umas 30 lá) e esses espíritos ficavam rondando o sitio, Não demos bola para isso fizemos uma fogueira e continuamos conversando quando era cerca de 12:30 da noite ouvimos um mugido para dentro da mata não demos bola, de repente ouvimos um choro de um cachorro por uns 15 segundos. Todos nós acendemos a lanterna e fomos ver o que era, encontramos um cachorro destroçado com parte da cabeça arrancada. Achamos muito estranho e ficamos nos perguntando que bicho tinha feito isso com aquele cachorro (era filhote) começamos a ficar com medo, estávamos voltando para as barracas quando de repente ouvimos outro som de cachorro chorando bem perto de onde estávamos, dessa vez o cachorro estava apenas sem um dos olhos, mas ainda estava vivo.


    Saímos correndo e voltamos para as barracas. Éramos 8 garotos tinham 2 barracas sendo 4 garotos em cada barraca. Não conseguíamos dormir e continuamos conversando em frente à fogueira. De repente vimos um vulto negro entre as arvores atrás de nós não perdemos tempo e corremos o mais rápido que podíamos para dentro da mata deixando tudo para trás, Foi ai que encontramos uma Coisa parecida com um homem de olhos vermelhos andando de quatro dentro da mata, Parecia que estava com sangue na boca.


    Estávamos sem saber para onde correr. Corremos então para tentar achar um final naquela floresta. Achamos uma cova onde tinha seis cachorros mortos. Todos estavam faltando um dos olhos. Contando com aqueles dois que vimos no chão da floresta eram oito cachorros mortos. (O mesmo numero de pessoas que morreram na historia que o menino contou).


    Nós vimos um Clarão muito branco e depois deste clarão apareceu aquela criatura vista anteriormente na mata. Ela agarrou Jonas e o mordeu na orelha. Ele se soltou descemos alguns rolando a floresta outros correndo muito rápido e voltamos ao acampamento. (Isso já era umas 5h da manhã)


    Acordamos o Frei Roberto e ele foi cuidar de Jonas que estava com a orelha sangrando. As 7h da manhã deixamos aquele Sitio e NUNCA MAIS VOLTAREMOS PARA LA. Foi horrível, Não sabia se ia sair vivo daquele lugar. Essa historia foi verídica Ocorreu 14/04/2008. Estamos apavorados até hoje... A respeito ligamos para o sitio depois e perguntamos se eles acharam algo na mata. Oito covas foram encontradas, contudo não tinha Nada Dentro delas.



    Publicação de origem:
    http://www.mrmalas.com/lendas/view.asp?id=9402

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    terça-feira, 24 de novembro de 2009

    O CANAVIAL



    No interior de Minas Gerais muitos "causos" misteriosos são contados .

    Um causo muito estranho aconteceu numa cidadezinha, cuja fonte de renda era a cultura de cana de açúcar. Das grandes fazendas aos sítios, a única coisa que se via eram grandes roças de cana.

    Numa dessas fazendas, que abrigavam colonos de toda parte do país, conta-se que um casal de nordestinos chegou e pediu emprego. Além do emprego, deram a eles um casebre, próximo a roça, para que morassem.

    O casebre era bem isolado dos demais, pelo fato de ser um dos mais antigos. Os outros colonos achavam o novo casal muito estranho, quase não conversavam e não participavam da missa de domingo.

    A mulher, que mais parecia um bicho do mato, estava grávida, mas mesmo assim todas as madrugadas ela ia para a roça cortar cana. Num dia muito quente, desses que parece que até o chão ferve, um incidente muito triste ocorreu. O marido da "Bicho do Mato"- como era conhecida aquela estranha mulher - fora picado por uma cobra e faleceu em poucas horas.

    "Bicho do Mato" ficou mais transtornada e mais estranha ainda. Até as crianças tinham medo dela. Ela continuo cortando cana até o nascimento do filho.

    Quando o bebê nasceu, "Bicho do Mato" sumiu ... não cortava mais cana, não abria a porta do casebre para ninguém. As colônias diziam que ela estava de resguardo e como era muito orgulhosa, não aceitava ajuda de ninguém.

    Coincidentemente, na mesma época do seu "sumiço", escutava-se todas as noites, um bebê chorando no canavial. Os bóias frias ficaram encucados com aquele choro e um dia resolveram procurar ... Eles andavam, andavam e nada de encontrar o bebê. Quando se aproximaram do casebre, notaram que o choro ficou mais forte, parecendo que vinha de baixo da terra. No dia seguinte voltaram e arrancaram o pé de cana. Para espanto de todos, encontraram o corpo de um bebê já em estado de decomposição. O dono da fazenda chamou a polícia e eles invadiram o casebre. Encontraram "Bicho do Mato" encolhida no canto do casebre como uma louca. O fogão de lenha estava manchado de sangue.

    Descobriu-se depois que ela matou seu próprio filho, socando sua cabeça na beira do fogão e depois o enterrou no canavial.

    A mulher foi levada para um sanatório e o bebê foi enterrado numa cova digna, no cemitério da fazenda, onde o padre rezou uma missa pedindo por sua alma.

    Depois disso, nunca mais ninguém ouviu o choro do bebê...

    Fonte:
    http://vultosnanoite.vilabol.uol.com.br/
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    domingo, 22 de novembro de 2009

    O Espelho


    Carmem era filha de uma empregada chamada Amélia,que trabalhava 6 dias por semana,loucamente para ganhar seu salário e sustentar a filha. Carmem ajudava sua mãe em quase todas as tarefas do serviço. Mais um dia uma coisa muito estranha aconteceu. Amélia foi limpar o sótão da casa que trabalhava e morreu misteriosamente.
    Carmem não se conformou com a morte da mãe e tentou investigar sua morte,até que um dia descobriu a causa da morte da mãe e não acreditou. Dentro do sótão havia uma caixa com ossos humanos,com uma faca afiada e ensangüentada,e com fios de cabelos idênticos ao de sua mãe. Carmem assustada olhou e estudou a caixa e do lado esquerdo da caixa estava escrito o nome de sua mãe. Olhou inconformada para todos os lados,e encontrou um lençol cobrindo alguma coisa grande e transparente,era um espelho antigo que pertencia à antiga dona da casa.Quando tirou o lençol observou o espelho e percebeu que nele havia manchas de sangue,que até chegaram a marcar o lençol.
    Ficou encantada quando observou o espelho, e por causa da morte da mãe dela,Carmem resolveu morar na casa que a mãe trabalhava.
    Todo certo dia,Carmem subia até o sótão e ficava observando o espelho.Até que um dia Carmem também foi encontrada morta no sótão.Muitas pessoas dizem ter visto sua alma dentro do espelho que ela tanto apreciava,e outros desconhecidos juram ter visto quem matou Carmem...a dona do espelho,ou seja a antiga dona da casa que havia morrido,e você devem estar se perguntando,e a mãe de Carmem...também ficou presa no espelho para todo sempre.
    Esta é uma história real,que minha avó me contou,e ela também falou que Carmem também tem uma caixa no sótão com seu nome escrito, com seus ossos,fios de cabelo,e a faca afiada e ensangüentada que a matou.

    Fonte:
    http://www.mrmalas.com/
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    quinta-feira, 19 de novembro de 2009

    Anjo de Dor


    LANÇAMENTO DA DEVIR COMEÇA COLEÇÃO
    DESTINADA À FICÇÃO DE HORROR


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    Título: Anjo de Dor
    Autor: Roberto de Sousa Causo
    Editora: Devir Livraria
    Número de Páginas: 207
    Arte da capa: Vagner Vargas
    ISBN: 978-85-7532-379-3
    Preço: R$ 25,00
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    quarta-feira, 18 de novembro de 2009

    Conto: Museu do Terror I - Little Boy

    Por Duda Falcão

    Demoraram quase quinze dias para montar todo o parque. Finalmente, na sexta-feira, a bilheteria abriu. Filas e mais filas se formaram para os brinquedos e as atrações principais. Isolado, em um extremo do quarteirão, ficava o Museu do Terror, que não acumulava visitantes em sua entrada.
    Uma menina puxando pelo barbante um balão de gás em forma de coração pediu ao pai que a levasse naquele brinquedo. O pai disse que aquele não era um lugar para se visitar, nem mesmo era um brinquedo. E além do mais deveria ser um tanto mórbido. A menina perguntou o que era mórbido. Bateu pé, quase esperneou. Queria entrar. Estava resoluta em sua decisão.
    O pai preferiu não discutir e nem explicar o significado da palavra que ela não conhecia. Apenas acatou, faria a vontade da filha, afinal, só encontrava a menina aos finais de semana. Durante os outros dias, ela ficava com a mãe. Queria ser um bom pai no fim das contas.
    Uma velha gorda, com um dragão tatuado no ombro, carimbou as mãos dos dois. Agora teriam livre acesso ao brinquedo. Pai e filha entraram depois de empurrar uma espessa cortina de pano negro. O lugar era amplo e mantinha-se na penumbra. Luminárias estavam estrategicamente instaladas sobre dezenas de caixas de vidro. O tamanho das caixas variava de acordo com o objeto que ostentavam. Todas tinham uma placa de metal contendo algum texto informativo. Diferentes, porém, de quaisquer textos encontrados em museus tradicionais. Às vezes, as plaquetas apresentavam apenas o nome, a origem ou um dado relevante sobre a coisa em exposição. No geral, se resumiam a mensagens curtas e incompletas.
    Os dois caminharam até a caixa mais próxima. Solícito, o pai leu para a filha. A menina ainda não estava na escola, mesmo assim já sabia juntar as sílabas e compreender parte do que permanecia gravado na plaqueta.
    — Artefato: A Mão do Macaco. Origem: Índia. Concede três desejos a três pessoas diferentes. Cuidado com o que você deseja!
    — Posso fazer um pedido, papai?
    — Não, filha! Não perca o seu tempo. Além do mais, você acha que essa coisa seca, com garras e pelos nos trará sorte? Eu sei o que você quer. Quer um pacote de pipoca doce, não é mesmo? Não precisa pedir. Eu comprarei. Tudo bem?
    — Tá bom. Olha aquela coisa na outra caixa, papai — a menina cheia de ânimo apontou para um canto.
    Era um gato preto mumificado. Na placa não havia qualquer informação além do nome do felino: Pluto.
    — Pobre gatinho, papai. Ele não tem um dos olhos.
    — Bizarro o bichano — murmurou o pai.
    Mais adiante, os dois encontraram uma caixa de tamanho médio vazia.
    — Por que não tem nada aí dentro, papai?
    — Vou ler o que diz aqui. Criatura: O Horla. Origem: Possivelmente extraterrena. Capturado no Brasil. Alimenta-se da essência vital dos humanos. Necessita beber água constantemente.
    — Hi, hi, hi. Esqueceram de colocar o boneco aí dentro!
    — Lembraram de deixar a vasilha com água. Acham que sou idiota. Vou pegar nosso dinheiro de volta! — reclamou o pai.
    Uma vitrina feita junto a uma das paredes de madeira comportava uma máquina complexa. Continha uma cama de metal acoplada a circuitos, fios e chaves de alta voltagem. O pai leu a plaqueta:
    — Artefato: Máquina do Dr. Frankenstein. Criada em 1816. Cuidado: A tempestade é capaz de conceder a vida. O homem não deve almejar os poderes de Deus.
    — E quem teria capacidade para tanto? — o pai ironizou o alerta.
    Foram em frente. Os passos do pai pesavam sobre as tábuas que rangiam. Os pezinhos da menina, no entanto, pareciam plumas deslizando no assoalho encerado.
    — Um caderno velho — disse a menina indicando outra caixa.
    — O diário de Renfield. O documento que Bram Stoker não teve acesso.
    — Quem é essa pessoa, papai? — a menina apertava e sacudia os dedos fortes dele para que respondesse a pergunta.
    — Não faço a mínima ideia. Tem um livro de verdade ali. Talvez possamos saber quem é o autor.
    O livro tinha aspecto antigo. Estava aberto. A capa era de couro, as páginas amarelas graças à ação do tempo exibiam letras e uma quantidade indecifrável de símbolos gravados com uma tinta vermelha.
    — Livro: Necronomicon. Escrito por volta do século VIII depois de Cristo. Autor: Abdul Alhazred, o Árabe Louco. Integra os Mitos de Cthulhu. Cuidado: portas para outras dimensões podem ser abertas a partir das intrincadas regras do livro. O inferno é o menor dos seus males.
    Um frio estranho percorreu a espinha da menina. Ela tremeu e se agarrou com mais força na mão e no braço do pai. Inferno era uma palavra que conhecia e da qual não gostava.
    Ao lado daquela caixa de vidro, havia outra. Continha uma garrafa de bojo largo e pescoço comprido. Uma rolha a mantinha fechada. Um líquido escuro e esverdeado repousava em seu interior. O pai leu o texto:
    — Peça: Fórmula do Dr. Jekill. Cuidado: Não beba. O outro se instalará em sua alma. Chega, filha. Vamos embora. Esse lugar está me cansando. Todo mundo sabe que o Dr. Jekill não passa de um personagem. Uma invenção de algum escritor lunático. Não acredite nessas coisas. Tudo aqui dentro é falso. Estou precisando de ar.
    — Pai, vamos ver só mais um. Só mais um.
    — O último, então. Ali tem outra cortina e não é a saída.
    — Tá escrito na placa em cima da porta — a menina demorou um pouco pra juntar as sílabas — Te...rror...Su...pre...mo!
    O pai ficou curioso, o que poderia ser pior do que aquele amontoado de bugigangas espalhadas em uma sala escura e pouco ventilada? A menina o puxou pela mão. Em seguida empurraram a cortina adentrando no pequeno e abafado aposento contíguo. À direita deles havia uma única caixa de vidro. Essa era a sua legenda:
    — Réplica: Little Boy. Lançada em 06 de agosto de 1945 sobre Hiroshima.
    Na parede da esquerda fotos e mais fotos em preto e branco referentes à explosão provocada por Little Boy aterrorizaram o homem. O pai colocou a palma da mão sobre os olhos da filha e a carregou dali. Alguns instantes depois, ele agradecia inconscientemente a Deus por poder respirar mais uma vez o ar puro e fresco da rua.
    — O que aconteceu? — quis saber a menina apreensiva.
    — Vamos a um brinquedo mais legal — o pai desvirtuou o assunto. Queria afastar todo aquele terror de sua retina.
    — Eu quero ir à roda gigante.
    — Seu pedido é uma ordem — tentou descontrair.
    — Você não tá esquecendo uma coisa?
    — O quê?
    — Minha pipoca doce.
    Os dois passearam o dia inteiro pelo parque. O pai guardou trancafiada a lembrança do Museu do Terror em um canto bem obscuro da memória. Preferia nunca mais lembrar daquele momento.


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    Quem quiser acompanhar esse conto cheio de mistério e seuspense, visite o blog do Duda Falcão e acompanhe os empolgantes episódios desse fascinante conto:

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    sábado, 14 de novembro de 2009

    A Noite do Lobo Por Adriano Siqueira



    Eu tentava andar, mas minhas pernas estavam muito cortadas... Precisava avisar Shyenne que aquela fera estava indo para seu castelo pois, o amuleto que ela guardava, deixava os Lobisomens imortais!

    Estava desmaiando e meus poderes de Vampiro estavam enfraquecidos.

    ******
    Shy> — Sua visita é uma agradável surpresa, Warwolf! Você sempre foi bem-vindo ao meu castelo!

    Warwolf> — Eu vim atrás de algo valioso, Shyenne... O amuleto da vida eterna, que você guarda!
    Shy> — É. Eu imaginei que você viria atrás dele cedo ou tarde... Ele pode mesmo dar vida eterna a vocês, lobisomens. Entenda minha posição; eu não posso dar o amuleto! Existe muito perigo em jogo...
    Warwolf> — Você não entende, Shyenne... Meus amigos já sabem deste amuleto e chamaram o guerreiro lobo para pegá-lo... estou aqui para protegê-lo e não deixar que este lobo consiga o que quer!

    A águia de Shyenne entra no castelo e começa a voar pela sala em círculos.
    Shy> — Minha deusa! É o Lord! Ele está ferido, lá fora!
    Warwolf> — Foi o lobo! Sinto cheiro dele... está perto!
    Shy> — Eu vou buscá-lo. Fique aqui e proteja o amuleto!
    Lord> — Eu já estou aqui! Quase morri... Aquela fera é muito forte!

    A águia foi em direçäo ao Lord mas, no meio do caminho, ela cai.

    Shy> — Lancis... Minha águia! O que aconteceu?
    Ela não se movia... parecia morta.

    Warwolf> — Shyenne, corra para o amuleto!
    Sem dizer mais nada, Warwolf pula em direção ao Lord, ou ao que parecia ser ele, já que agora era um Lobo de três metros. Os lobos tem o poder de mudar a sua aparência.
    — Eu quero o Amuleto!
    A luta dos dois lobos era muito violenta. Suas garras cortavam tudo!

    Shyenne estava no seu quarto, agora, protegendo o amuleto.
    A porta do seu quarto é completamente destruída... O lobo estava sedento por sangue... seus dentes estavam para fora:
    — Eu quero o amuleto!
    — Acho que näo! — eu apareço, bem na hora, na janela do quarto, e pulo em direção ao grande lobo.
    Warwolf> — Traga ele para cá, Lord!
    Bem que eu tentei... Ele era forte! Minha força estava aumentando; Era Shyenne usando seus poderes para me tornar mais forte... Eu consegui empurrei a fera em direção ao Warwolf.
    Warwolf a pega e arranca-lhe o coração!
    Tudo estava terminado.
    — Mas... e a águia?
    Shy> — Ela está bem, Lord! Quando ela ia atacar o lobo disfarçado de Lord eu a fiz dormir para que ela näo pudesse ser devorada pelo monstro!

    Lord> — O Warwolf tinha como conhecer minha aura de vampiro, mas você, Shyenne, como descobriu???
    Shy> — Milord!
    Lord> — É... está bem. Afinal você é uma bruxa!
    Warwolf> — Minha missão terminou... Um abraço, amigos.


    Autor: Adriano Siqueira

    Fonte:
    http://contosdevampiroseterror.blogspot.com/


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    sábado, 7 de novembro de 2009

    Shadowmancer - O Feiticeiro das Sombras


    Esta obra transporta o leitor para a costa inglesa de Yorkshire no século XVIII. O local serve de cenário para um vertiginoso embate entre forças do bem e do mal, numa fantasia repleta de ilusões, bruxaria e suspense.

    I.S.B.N.: 8573026189
    Número de Páginas : 352
    Editora: Objetiva
    Tradução de: Maria Alice Máximo

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    quinta-feira, 5 de novembro de 2009

    Conto: Shyenne X Vampiros





    Por Adriano Siqueira

    Dois demônios alados tentam tomar o cantil do nosso amigo Hades que estava andando calmamente pelo deserto:
    — Saiam malditos!
    Lançando raios de sua mão, ele tenta afugentar os demônios. Quando vê uma enorme fortaleza que aparece, do nada, atrás de uma duna enorme.
    — Mas... que diabos?!
    Vários demônios alados começam a sair daquela fortaleza. Mesmo um bruxo com enormes poderes como Hades näo conseguiria deter tamanha invasão.
    — Eles entraram no mundo real!

    ******
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    domingo, 25 de outubro de 2009

    Treze Almas





    Treze Almas

    Lendas Sobre as Treze Almas  possuem muitas lendas urbanas, leremos algumas delas abaixo: Treze Almas Benditas: Esta lenda foi contada pela minha avó e ela autorizou–me a repassá–la ao público. Reza o mito que quando Deus deu as chaves do Paraíso para São Pedro, afirmou que de sete em sete anos apareciam treze espíritos, que morreram em diversas catástrofes.

    Porém estas almas não seriam boas o suficiente para irem para o céu, nem más o bastante para irem ao inferno e não teriam o mínimo de pecados para entrarem no purgatório. Por isto o destino delas seria vagar na Terra ajudando as pessoas vivas a resolverem os seus problemas. São Cipriano recebeu dos céus a oração que qualquer ser humano pode rezar com a intenção de pedir ajuda a estes espíritos. A oração é esta: “Oh! Minhas 13 Almas Benditas, sabidas e entendidas, a vós pedem, pelo amor de Deus, atenda o meu pedido. Minhas 13 Almas Benditas, sabidas e entendidas, a vós pedem, pelo sangue que Jesus derramou, atenda o meu pedido. Pelas gotas de suor que Jesus derramou do seu Sagrado Corpo, atenda o meu pedido. Meu Senhor Jesus Cristo, que a vossa proteção me cubra, vossos braços me guardem no vosso coração e me proteja com os vossos olhos. Oh! Deus de Bondade, vós sois meu advogado na vida e na morte; peço-vos
     que atendam os meus pedidos, livrai-me dos males e dai-me sorte na vida. Segui meus inimigos; que olhos do mal não me vejam; cortai as forças dos meus inimigos. Minhas 13 Almas Benditas, sabidas e entendidas, se me fizerem alcançar esta graça (dizer a graça), ficarei devoto de vós e mandarei um monge copista escrever um milheiro desta oração, mandando também rezar uma missa". A pós-esta reza o solicitante deve rezar um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e fazer o Sinal da Cruz. Hoje em dia o fiel não pede mais para um monge copista escrever um milheiro desta reza. Porém manda imprimir um milheiro desta oração e paga para colocá-la na seção religiosa do jornal de sua cidade. Outro fato interessante é que segundo a lenda, estas treze almas faleceram em diversos tipos de catástrofes: a primeira morreu queimada, a segunda faleceu afogada, a terceira foi assassinada, a quarta teve acidente com veículo, a quinta morreu engasgada, a sexta desencarnou vítima de ciclone, a sétima expirou de fome, a oitava faleceu de frio e assim por
      diante. Treze Almas do Edifício Joelma: Há uma outra lenda que diz que no incêndio do edifício Joelma, nos anos 70, morreram treze pessoas queimadas que nunca foram identificadas e que por isto foram enterradas como indigentes.Na época surgiu o boato de que estas treze pessoas eram foragidos políticos que estavam escondidos naquele edifício para fugir da ditadura. O povo diz que estes treze espíritos atendem aos pedidos das pessoas que rezam para eles. A oração para as treze almas do Edifício Joelma é este: “Oh, treze almas das pessoas que morreram queimadas no Edifício Joelma, por favor, atendam ao meu pedido. Oh, treze espíritos que não foram identificados, acenderei treze velas se a minha prece for atendida. Oh, treze criaturas que foram queimadas, que Jesus guie os seus caminhos. Oh, treze seres que faleceram queimados no Edifício Joelma, mandarei rezar treze missas se o meu pedido for atendido. Oh, treze espíritos, que o Espírito Santo acolha as suas almas. Amém”. O solicitante deverá rezar esta oração por treze dias. A cada dia ele deve acender uma vela diferente. Após o pedido ser realizado, o contemplado deve ir até uma igreja e mandar rezar uma missa em memória das treze almas, sem identificação, que faleceram queimadas no Edifício Joelma. Luciana do Rocio

    Publicação de origem:

    http://www.mrmalas.com/













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    terça-feira, 20 de outubro de 2009

    Uma Antiga Lenda


    Uma Antiga Lenda

    Conta uma antiga lenda que na Idade Media um homem muito religioso foi injustamente acusado de ter assassinado uma mulher. Na verdade, o autor era pessoa influente do reino e por isso, desde o primeiro momento se procurou um "bode expiatório" para acobertar o verdadeiro assassino.

    O homem foi levado a julgamento, já temendo o resultado: a forca. Ele sabia que tudo iria ser feito para condena-lo e que teria poucas chances de sair vivo desta história.

    O juiz, que também estava combinado para levar o pobre homem a morte, simulou um julgamento justo, fazendo uma proposta ao acusado que provasse sua inocência.

    Disse o juiz: sou de uma profunda religiosidade e por isso vou deixar sua sorte nas mãos do Senhor: vou escrever num pedaço de papel a palavra INOCENTE e no outro pedaço a palavra CULPADO. Você sorteara um dos papéis e aquele que sair será o veredicto. O Senhor decidira seu destino, determinou o juiz.

    Sem que o acusado percebesse, o juiz preparou os dois papéis, mas em ambos escreveu CULPADO de maneira que, naquele instante, não existia nenhuma chance do acusado se livrar da forca. Não havia saída.

    Não havia alternativas para o pobre homem. O juiz colocou os dois papéis em uma mesa e mandou o acusado escolher um. O homem pensou alguns segundos e pressentindo a "vibração" aproximou-se confiante da mesa, pegou um dos papéis e rapidamente colocou na boca e engoliu. Os presentes ao julgamento reagiram surpresos e indignados com a atitude do homem.

    "Mas o que você fez?" E agora? Como vamos saber qual seu veredicto?"

    "É muito fácil", respondeu o homem. "Basta olhar o outro pedaço que sobrou e saberemos que acabei engolindo o contrário."

    Imediatamente o homem foi liberado.

    MORAL DA HISTORIA:

    Por mais difícil que seja uma situação, não deixe de acreditar ate o ultimo momento. Saiba que para qualquer problema há sempre uma saída.

    Não desista, não entregue os pontos, não se deixe derrotar. Persista, vá em frente apesar de tudo e de todos, creia que pode conseguir.

    (autor desconhecido)

    Fonte: http://www.casadobruxo.com.br/










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